VITROLA VIRTUAL


LUGARES E CANÇÕES

"Spoon and Rafter" - Mojave 3

Uma das coisas mais bacanas da música é a capacidade de nossa memória relacionar locais, pessoas e situações a determinadas canções que estavam tocando naquele momento. Às vezes me pego passando de carro por algum local aqui de Brasília e, na mesma hora, um disco ou uma música imediatamente começam a "tocar" no meu cérebro.

Dessa maneira, todas as vezes em que eu for na Secretaria da Fazenda vou me lembrar do disco "Wild Wood" do Paul Weller, ou quando estiver malhando sempre me lembro de "Wiser Time" do Black Crowes, e sempre que eu estiver dirigindo na Via Estrutural, "Thunder Road" do Bruce Springsteen me virá à lembrança.

O engraçado é que sempre passo diversas vezes pelos mesmos locais, converso com as mesmas pessoas e as músicas que (provavelmente) estarão tocando naquele determinado momento serão outras, mas invariavelmente a memória busca aquela canção específica. Por isso eu acredito que a música exerce um poder tão grande na minha vida, que momentos ficam eternizados na minha memória como uma trilha sonora, e quando tal evento é repetido, meu cérebro descarrega uma cadeia de eventos que resulta sempre na mesma canção.

É assim com vocês?

Por isso que todas as vezes que vejo meus filhos gêmeos eu me lembro do disco "Spoon and Rafter" do Mojave 3. E olha que nós já embalamos eles ao som de vários artistas e bandas, como Stevie Wonder, Tennage Fanclub e Echo & the Bunnymen, mas eu sempre lembro de Mojave 3.

Eu comprei esse disco durante a gravidez de minha esposa, e ele, de cara, foi adotado por nós por causa de seu jeitão tranquilo, recheado de canções folk-rock feitas sob medida para acompanhar nossa felicidade, a ser completada com a chegada dos gêmeos.

Após o nascimento deles, ele foi um dos discos escolhidos para ficar tocando durante o sono deles, ao lado de "After the Gold Rush" do Neil Young, uma Antologia do Gram Parsons e "Seed of Memory" , do Terry Reid. Mas não teve pra ninguém, pois todo mundo que chegava lá se apaixonava pelas doces canções do Mojave 3.

Hoje eles estão com 1 ano e quase 4 meses, andando, correndo, caindo, batendo as cabeças, puxando meus discos (ai...), desligando e ligando a TV umas 245 vezes por dia, e trazendo uma felicidade quase insuportável para o nosso lar. A trilha sonora também mudou um pouco, já que criança adora os discos do Palavra Cantada, mas a banda Mojave 3 sempre vai ocupar um local de destaque na minha memória, por ter vindo junto com as coisas mais preciosas de minha vida.

     



 Escrito por Osorio Coelho às 15h10
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6. "Mesmerize"/"Hipnotize" – System of a Down

         Um soco no estômago. A sensação de ser atropelado por um caminhão desgovernado. Isso é o que restou de mim após ter   escutado os demolidores discos da banda, que, mais uma vez, assume o posto de principal porta-voz daqueles que são "contra tudo o que está aí". E tome thrash-metal, influências de reggae, soul, hard-rock abastecidos pelo discurso panfletário da banda que não poupa políticos, artistas, a sociedade americana e mundo fake de Hollywood. Vai resolver? Provavelmente não, mas se é para botar a boca no trombone, que seja com boa música.

    7. " A Time to Love" – Stevie Wonder

          Um grande retorno de um dos mestres da soul music. Com o auxílio luxuoso de gente do naipe de Prince e Paul McCartney, Wonder mostra à nova geração insípida de de cantores R&B como é que se faz um disco de soul emocionante, com aquele aspecto de antigamente, mas sem nunca deixar de encarar o futuro e suas possibilidades. Gênio.

       

    8. "Cold Roses"/"Jacksonville City Nights"/"29" – Ryan Adams

         Alguém me corrija, mas não me lembro de nenhum artista que teve a petulância de lançar 3 discos de músicas inéditas no mesmo ano. O que espanta no caso de Ryan Adams é a qualidade indiscutível das canções, algo espantoso para a quantidade de discos. Fica praticamente impossível escolher apenas um, já que Adams, após uma fase mais roqueira, volta para seu passado country, relembra sua antiga banda,  Whiskeytown, e consegue emocionar tanto indies quanto roqueiros tradicionais.

    9. "You Could Have It So Much Better" – Franz Ferdinand

          Praticamente uma continuação do seu (ótimo) disco de estréia, o Franz Ferdinand não se deixou levar pelo hype e se consolida como uma das bandas mais interessantes da geração "amo os anos 80". Aí vale tanto o Roxy Music, quanto Talking Heads na perfeita consolidação do que se convencionou chamar de Art Rock (??). Altíssimo astral.

    10. "Lullabies to PAralyze" – Queens of the Stone Age

           Josh Homme é o cara. Dificilmente uma banda/artista consegue emendar 4 discos do mesmo nível em sequência, e o QOTSA não conseguiu, o que não tira os méritos desse lançamento que, mesmo sem a força dos discos anteriores, mais uma vez comprova que Homme é uma usina de idéias bacanas, riffs matadores e dono de uma agenda telefônica de causar inveja, afinal além do compadre Mark Lanegan, o monstro sagrado do ZZ Top Billy Gibons participa de uma das faixas mais bacanas do disco, a incendiária "Burn the Witch".

MENÇÕES HONROSAS

1. "Multiply" - Jamie Lidell

2. "Minimum Maximum" - Kraftwerk

3. "Magic Time" - Van Morrison

4. "Z" - My Morning Jacket

5. "Don't Believe the Truth" - Oasis

 



 Escrito por Osorio Coelho às 10h13
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MELHORES DISCOS DE 2005

Se alguém, no início de 2005, me dissesse que o ano seria ainda melhor em matéria de lançamentos do que 2004, eu diria que a pessoa estava louca. Afinal no ano passado tivemos grandes discos, como Wilco, Secret Machines e Ray LaMontagne.

Só que os monstros sagrados do rock resolveram, de uma só vez, sacudir a poeira e mostrar ao mundo hype que carreiras são admiradas e consolidadas, não através da babação incessante por parte da mídia, que busca um novo salvador do rock toda semana, mas durante anos, lançando discos bons, discos ruins, mas sem nunca desistir da busca pelo melhor discos de sua carreira. Nem que isso ocorra depois de mais de 20 anos de carreira.

Não que bandas novas também não possam lançar ótimos e interessantes discos, muito pelo contrário. Só que, convenhamos, nesse ano a disputa foi desigual, como mostramos agora.

 

 

  1. "Devils & Dust" – Bruce Springsteen

    O ano não poderia ter sido melhor para o "The Boss", já que, além do relançamento anabolizado de sua obra-prima "Phil Spectoriana" Born to Run, ele colocou no mercado o melhor disco do ano. Após o magistral The Rising, onde as feridas do 11 de setembro são expostas e, ao mesmo tempo, curadas, na melhor resposta musical ao ataque terrorista, Devils & Dust se fecha em sua introspecção, lembrando os momentos acústicos de discos como Nebraska e The Ghost of Tom Joad. Um registro obrigatório de um dos maiores artistas americanos de todos os tempos.

     

     

     

  2. "Get Behind Me Satan" – The White Stripes

    Jack White subverte a lógica vencedora do garage-blues de Elephant, coloca a guitarra em segundo plano, espanta críticos e fãs mundo afora e lança um clássico absoluto. Tocando riffs no piano, substituindo os instrumentos normais por marimbas e homenageando ícones country com o seu caldeirão demoníaco de influências. Maravilhosamente esquisito.

     

     

  3. "Prairie Wind" – Neil Young

Discos que são lançados após tragédias e crises pessoais são registros únicos da alma estilhaçada do artista. Blood on the Tracks de Bob Dylan e Magic and Loss de Lou Reed estão aí para provar a teoria. Clássicos moldados na dor, assim como Prairie Wind, lançado após Neil Young ter perdido o Pai e quase ter morrido devido a complicações após sua cirurgia crebral. Com esse disco, a trilogia Harvest (Harvest, 1972 e Harvest Moon, 1992) está completa, com um doloroso olhar sobre sua vida, seus sonhos e o futuro.

 

 

 

 

  1. "As Is Now" – Paul Weller

    O modfather volta à boa forma com seu disco mais poderoso desde o maravilhoso Stanley Road, de 1995. Com seu habitual rock temperado com soul e funk, auxiliado pelo fiel escudeiro, o baterista Steve White e os "Ocean Colour Sceners" Steve Cradock e Damon Minghella, Weller mostra sua habitual elegância, mostrando porquê é um dos maiores compositores britânicos dos último 30 anos.

     

     

     

  2. "Howl" – Black Rebel Motorcycle Club

    Um retorno às raízes do rock. Enquanto várias bandas não conseguem sair do espaço temporal dos anos 80, o BRMC volta onde o rock surgiu e presta uma sincera homenagem aos criadores do rock, com um disco cheio de referências blues-country-gospel. Conseguem sair da sombra de uma banda noise-guitar para uma visão mais ampla de sua carreira, ainda que anti-comercial, mostrando que o futuro é passado, baby.

     

     

   



 Escrito por Osorio Coelho às 09h35
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PARCERIAS

 

Glen Campbell & Jimmy Webb - Reunion 1974 - 1988

Eu não fazia a mínima idéia de quem era Jimmy Webb, até que, lendo uma matéria sobre o lançamento de uma Box-Set dele tomei conhecimento de um grande compositor, injustamente pouco conhecido por aqui.

Para não dizer que ele era um completo desconhecido, soube que foi ele quem compôs a música "Macarthur Park" , essa sim conhecidíssima, já interpretada por gente do quilate de um Four Tops, Frank Sinatra e, a versão que eu conhecia, na voz de Donna Summer.

O mistério começava a ser revelado para mim.

Escutei algumas de suas músicas, e simplesmente fiquei fascinado pelo seu grande talento em compor músicas pop sem nunca resvalar na mediocridade, mas trazendo um apurado senso melódico, que capta de forma elegante sua busca pela perfeição. Ele chegou a lançar um livro recentemente chamado "Tunesmith" , que é um manual para quem pretende ser um songwriter. Ninguém mais apropriado do que Jimmy Webb para ensinar.

Procurei, então, a tal Box-Set nos sites da vida para comprar, mas ele se encontrava fora de catálogo, e eu não queria comprar disco a disco, pois eles também são muito difíceis de serem encontrados. Até que um certo dia, caminhando na seção de discos da FNAC, encontrei o disco "Reunion" , com Glen Campbell intrpretando canções de Jimmy Webb. O disco tinha 10 músicas, e custava 43,00 reais, e eu estava a ponto de pegar o cartão de crédito quando resolvi esconder o disco (besteira, já que quase ninguém conhece) e pesquisar o preço na internet.

Fui surpreendido pela descoberta do mesmo disco, só que com 24 faixas (!!), 13 faixas-bônus além das normais, pelo preço de...70,00 reais. Respirei fundo e comprei. Foi a melhor coisa que eu fiz.

Glen Campbell, conhecido cantor country americano, sempre interpretou músicas de Jimmy Webb nos anos 60, como "Wichita Lineman" e "Honey Come Back" , desfrutando de grande sucesso, mas os anos 70 foram de grande dificuldade para ambos, já que Webb preferiu lançar alguns discos, bem recebidos pela crítica, mas fracassos de venda. Foi nessa época (1974), que o disco "Reunion" foi lançado, injustamente ignorado.

O country-pop de Campbell nunca soou tão bem como nas belíssimas "Just This One Time" , "Ocean In His Eyes" e, principalmente, em "The Moon’s a Harsh Mistress" , que dá nome à Box-Set. Marca registrada de Webb, o piano, emoldurado por seções inspiradas de cordas fazem corar de vergonha alguns compositores que viram as costas para talentos como Jimmy Webb. Deveriam escutar e aprender. Alguma dúvida? Escutem a romântica "It’s a Sin (When You Love Somebody). Pode parecer piegas, mas prefiro encarar como trilha sonora de sentimentos que ainda precisam ser encarados como absolutamente necessários. E Jimmy Webb é a trilha sonora ideal para isso.

O álbum perde um pouco a força quando entra nos anos 80, já que as gravações abrangem o período que vai até 1988, mas ainda existem grandes músicas, como "Christiaan No" e a vencedora do Grammy de música country do ano de 1985, "Highwayman". Engraçado como o período posterior ao lançamento do disco "Reunion" foi o de maior sucesso para Glen Campbell, que continuou interpretando músicas de Webb em seus discos.

Uma curiosidade: Glen Campbell substituiu Brian Wilson nos Beach Boys em 1965 em uma de suas notórias maluquices.


Serious Business

Outras parcerias de grande sucesso no mundo pop/rock:

Johnny Cash & Rick Rubin - American Recordings - Johnny Cash envelhece com dignidade, conseguindo se reinventar e lançando discos antológicos misturando  a modernidade do produtor Rick Rubin a sua clássica interpretação de músicas country-rock, misturadas a covers sensacionais.

David Bowie & Brian Eno - Low - Berlin + cocaína + sintetizadores e camadas espaciais do Lado B do disco de vinil. Resultado: O melhor disco de Bowie e um dos melhores discos de toda a história da música.

 



 Escrito por Osorio Coelho às 18h46
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WHITE STRIPES – GET BEHIND ME SATAN

 

 

Na Bíblia, no Livro de Lucas, Jesus, após ser tentado pelo demônio, recusa a vulgaridade do que poderia ser chamado à época, das tentações seculares e da danação eterna. O óbvio paralelo estabelecido entre Jesus e Jack White, no seu novo disco "Get Behind me Satan" (Vade Retro Satanás) , e vamos aqui esquecer toda a polêmica religiosa, fica claro quando, após o mega-sucesso do disco anterior, o sensacional "Elephant" , ele, literalmente, vira as costas para o conformismo pop e lança um trabalho que pode definitivamente colocar a banda em um patamar elevadíssimo.

Aprisionado pelo sucesso de "Seven Nation Army" , um dos grandes responsáveis pelo crossover entre as pistas de dança e o rock, Jack White criou uma grande expectativa com seu novo disco. Seria de se imaginar que o clima blues-garageiro continuasse, já que anabolizados pelo disco antigo, a forma seria repetida à exaustão, e, de uma certa forma, ela foi repetida apenas na primeira música, o petardo "Blue Orchid" , que só faz confirmar a incrível capacidade de White criar riffs ao mesmo tempo viscerais e pegajosos. Já dá até para imaginar ela sendo remixada para as pistas de dança, com sua batida demoníaca, preenchida pelo falsete de White. Mas, assim como Jesus, ele subverte a lógica e busca nas raízes do rock a inspiração necessária para a continuação de seu 5º, e extraordinário disco. Uma diabólica mistura de Bluegrass, Hendrix e ragtime.

Em outro típico exemplo de subversão, já que a primeira faixa instiga a alma, ele deixa de lado na maioria das músicas o arquétipo guitarra-bateria-voz para investir em um clima mais intimista e esquisito, com piano e marimba. Desse modo ele instiga o nosso espírito. A sujeira, marca registrada das bandas de Detroit, fica em segundo plano, dando lugar às melodias pop (My Doorbell) com "riffs" de piano, como em   e "The Denial Twist". O lado baladeiro, estilo cantor de bar no final da noite aparece nas lindas "White Moon" e em "I’m Lonely But I Ain’t Lonely Yet", que copiia descaradamente o início de "Changes" , do Black Sabbath. Além de "Blue Orchid" , Jack White mostra a face garageira da banda na Hendrixiana "Red Rain" e em "Instinct Blues", que mostra porquê o Led Zeppelin é uma das maiores influências.

Além de todo esse mosaico, Jack White ainda brinca com simbolismos cristãos no disco todo, como no caso da maçã branca que Meg White segura, podendo, em uma livre interpretação, ser encarada como o próprio fruto proibido do livro de Gênesis, que signifcou a queda do Homem, não fosse o fato de que a maçã está intacta. Mais uma vez eles se rebelaram contra o establishment, representado nesse caso pela entrega da alma em troca do sucesso? Ou então a foto final do encarte, que nos remete à famosa obra "La Creazione dell’ Uomo" , de Michelangelo, localizada na Capela Sistina de Roma, onde Deus concede o dom da vida a nós, seres humanos.

 Click!

Jack White recebeu de Deus um incomparável talento, e uma imensa coragem para desafiar as atuais regras de mercado, com o lançamento de um disco que dificilmente será menos do que o melhor do ano. Amém.


Outras bandas/artistas que optaram por seguir um caminho tortuoso após um grande sucesso:

Ira! – "Psicoacústica" : Após o disco "Vivendo e não aprendendo" eles lançaram o disco que marca a volta da psicodelia ao rock Brasileiro

Lou Reed – "Berlin" : Depois da explosão glam de "Transformer", Lou Reed cria uma obra depressiva que fala sobre drogas e prostituição.

Radiohead – "Kid A" : O ápice do anti-pop ainda seria atingido no disco seguinte, mas com esse disco a banda surpreendeu o mundo.



 Escrito por Osorio Coelho às 18h38
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ESCOLHAS CERTAS OU ERRADAS?

Terry Reid - Seed of Memory

Imagine a seguinte situação: Jimmy Page (ele mesmo) te convida para ser o vocalista do projeto "New Yardbirds", e você não aceita a oferta. Louco? Doido varrido? Bem, depois de um outro convite, dessa vez para substituir Rod Evans nos vocais do Deep Purple, aonde você mais uma vez rejeita, está comprovado o caso de insanidade mental certo?

Além disso você, no início da carreira já tinha desistido da sua primeira banda, os Jaywalkers, que ganhavam uma boa reputação na Inglaterra, participando de uma turnê com os Rolling Stones e Ike & Tina Turner, lá pelos idos de 1968. Tudo isso por acreditar que o seu futuro estava na sua carreira-solo.

Isso aconteceu de verdade, pois todas as informações estão no encarte do disco-solo de Terry Reid, até então um ilustríssimo desconhecido para o Vitrola Virtual. Comecei a me interessar por sua história depois de comprar esse disco e ler um excelente texto sobre os Yardbirds na ChampVinyl. Se quiser ler o texto clique aqui. Uma das perguntas que fiz ao chapa Barry foi justamente se ele conhecia Terry Reid.

Entrei na Modern Music mais uma vez para pegar a minha encomenda (o novo da Mark Lanegan Band), e uma música estava tocando, me fazendo lembrar de cara Chris Robinson e seu primeiro trabalho solo, New Earth Mud. O estilo Folk-Rock estava lá, misturado a altas caras emocionais. Ela era belíssima, e se chamava "To Be Treated Rite", que lembrava também o trabalho de Crosby, Stills, Nash & Young e seu elegante trabalho vocal. Obviamente que comprei o disco, sendo hoje altíssima rotação no meu carro. As influências de Neil Young fase "On the Beach" são logo percebidas nas músicas "Faith to Arise" e, principalmente, em "Seed of Memory".

A certeza que eu tive sobre a influência que ele teve sobre Chris Robinson veio junto com a faixa "Ooh Baby (Make Me Feel so Young), onde Reid, assim como Robinson, compôs um soul digno dos maiores mestres, com um belo trabalho de metais. Algumas de suas grandes influências da época foram também bandas famosas como o Cream e o Jeff Beck Group, que justifica o lado bluesy de faixas como "The Way You Walk" e "The Frame".

Pena que o disco seja tão curto (somente 8 músicas), terminando com a arrasa-cotovelos "Fooling You", com um Reid crooner cantando as dores do amor sobre uma base de mellotron e cordas. Pense em um bar vazio, um drink sobre a mesa, ambiente esfumaçado e a lembrança dela.

É um absurdo que um artista tão talentoso seja praticamente um desconhecido. Bem, pelo menos para mim ele era, coisa que irei corrigir com a aquisição de mais discos. O belo trabalho vocal foi totalmente arranjado por ninguém menos do que Graham Nash, também produtor do disco. Perfeito para uma noite perfeita, mas serve também para aqueles dias em que tudo dá errado.  


Bem, os tentáculos da Vitrola Virtual começam a se expandir. Fui convidado para escreer uma coluna de música no site Press Play, com o nome de Agent Smith, minha "identidade secreta". Todos os visitantes e participantes do blog estão convidados a dar um pulo por lá, onde assumo um papel menos cavalheiresco e mais arrogante, como os chapas Rob, Barry e Dick (que estranhamente nunca deixou uma mensagem aqui no blog). 

Não se assustem, portanto, é apenas um papel. E tentem não revelar a minha "verdadeira" identidade. eheheh... 



 Escrito por Osorio Coelho às 15h49
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PATRULHA DA NEVE

         

Snow Patrol - Songs For Polarbears

Snow Patrol - When It's All Over We Still Have to Clear up

Snow Patrol - Final Straw

O que mais me espanta na ignorância da tal comunidade indie (êta nomezinho ridículo) é a incrível capacidade de fabricar a próxima grande banda, sem o devido conhecimento de que alguns deles já vinham lançando bons discos a pelo menos uns 6 anos, como no caso do Snow Patrol, agora frequentador das revistas especializadas na terra da rainha, reverberando aqui no Brasil através de colunisas Indie (olha ela aí de novo) e de babões que conseguem enxergar alguma novidade em bandas superestimadas, como os Libertines, um mero pastiche do Clash.

Ainda bem que tais "elogios" não se aplicam ao caso do Snow Patrol, banda escocesa, descendente direta das famosas guitar-bands, de linhagem nobre, e que ainda se preocupam com uma boa melodia, sem esquecer das guitarras.

O primeiro disco, "Songs For Polarbears", lançado no Brasil pela Trama (informação que até o bacana Rio Fanzine do Grobo, do Tom Leão, desconhecia) data de 1998, e traz na traseira do seu encarte uma mensagem politicamente correta, o que não é um bom sinal, convenhamos. "Mamães e Papais do mundo sejam pacientes com suas crianças". Fofo, não? Mas a fofura acaba aí, já que, surpreendentemente uma música totalmente influenciada pelo Sonic Youth da época do Dirty ininia o disco. Em "Downhill From Here" a semelhança chega ser assustadora, emulando também Elastica (Star Fighter Pilot) The Reindeer Section (Mahogany e NYC) e Idlewild (Little Here). Posso parecer confuso, afinal acabei de falar mal dos Libertines, justamente pelo fato de serem influenciados por uma das melhores bandas de todos os tempos, enquanto que o Snow Patrol lembra outras menos cotadas. A diferença aqui é a qualidade da música. Enquanto um tem, o outro não tem, certo?

Nesse disco a banda já iria se utilizar de alguns recursos de estúdio que se repetiriam nos seus outros discos, quando o vocal de Gary Lightbody (Guitarrista, tecladista e subnutrido, de acordo com o encarte) fica entupido de efeitos, gerando um vocal distorcido. Comum, mas eficiente.

No segundo disco, "When It's All Over We Still Have to Clear Up", a clara influência do Sonic Youth dá lugar a melodias um pouco mais "comportadas", nos remetendo a um Dandy Warhols, como na faixa de abertura "Never Gonna Fall in Love Again". Os efeitos no vocal permanecem em praticamente todas as faixas, e o lado mais "doce" da banda começa a prevalecer, com guitarras menos pesadas, como em "Ask Me How I Am" e na Velvetiana "Batten Down the Hatch". O que se nota é uma perda no peso roqueiro, que se contrapõe ao aumento da sensibilidade (uia!) dos rapazes.

A vantagem dessa transição acaba gerando um excelente disco, o ótimo "Final Straw", onde as palhetadas do primeiro disco se misturam ao açúcar do segundo, nascendo um típico representante do bom rock escocês. Tem para todos os gostos. Desde a música para escutar com a namorada (o) (How to be Dead), passando pela "levanta público de rock" (Wow), até algumas trucagens legais de estúdio (Whatever's Left). Escute a maravilhosa "Spitting Game" e veja como ela pode se tornar a música de sua vida. Pelo menos até o final de semana.

é legal ver o amadurecimento de uma banda, principalmente quando ela, logo no seu primeiro disco, não é apontada como a "salvação do rock". Deixemos que a própria obra fale por si, o que já pode representar um avanço em meio a várias bandas que desaparecem da mesma forma como surgiram, Igual a um raio. Já falei isso, certo?


Ai, ai...o que a paternidade faz com a gente...vamos lá:

"Mums and Dads of the world be patient with your children"



 Escrito por Osorio Coelho às 11h58
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KEEP ROCKIN', BABY

         

The Hives - Tyrannosaurus Hives

Fountains of Wayne - Welcome Interstate Managers

O que fazer quando algum de vocês vai ser o DJ de uma festa mas não quer ficar tocando sempre as mesmas músicas dos anos 80 de sempre, nem a melancolia rítmica de uma banda eletrônica muderninha ou mesmo os "hits" do momento? A resposta está no primeiro disco aqui listado, o sensacional Tyrannosaurus Hives, da banda-cool The Hives, desde já um dos melhores discos do ano. Podem me cobrar.

Fortemente recomendado pelo chapa Roberto Sôlha, jornalista de Minas, resolvi comprar o disco no escuro, empolgado por suas excelentes recomendações. Não que eu desconhecesse a banda, muito pelo contrário, mas sempre fui meio desconfiado por esses hypes que aparecem com um bom primeiro disco e depois desaparecem (The Vines? Yeah Yeah Yeahs??) . O disco anterior deles era muito bom, conseguindo colocar a espetacular música "Hate to Say i Told you So" até em novela da Grobo.

O que era apenas sugerido anteriormente torna-se evidente agora, mostrando toda a influência oitentista (do bem, diga-se), em faixas como "Two-Timing Touch and Broken Bones" e na ótima "Walk Idiot Walk" , que não estaria deslocada se fosse do disco "New Traditionalists" do Devo, que foi lançado a uns 20 anos atrás. Nem precisa dizer que eles são a maior influência da banda hoje.

A partir da faixa "No Pun Inended" a demência toma lugar, em uma sequência que permite até que uma guitarrinha sem-vergonha estilo Madness (A Little More For Little You) se misture à pegada punk da banda, bem como uma surpreendente surf-punk-music (B Is For Brutus) que também não fica esquisita no liquidificador sonoro deles.

É um disco rápido, que passa como um rolo compressor por cima da gente, sem deixar nem tempo para respirar. Ducida? Coloque "Missing Link" em uma festa e veja se alguém fica indiferente. Por isso que é sempre legal escutar uma banda honesta e divertida, que utiliza de maneira inteligente todas as armas que o marketing pode dar, inclusive o visual, com ternos, sapatos brancos e polaina. Sem falar em um vocalista maluco, mais preocupado em divertir a platéia (e a ele mesmo). Vem cá, um disco que começa com uma música chamada "Abra Cadaver" não pode ser ruim, certo?

Já o Fountains of Wayne começa o disco com o jogo ganho. Um power-pop competente, com letras romântico-engraçadinhas ("Eu pilotava para a American Airlines, mas fui demitido por ler a High Times" - nota do blogueiro: Revista que fala de maconha), vocais doces. Lembrou do Teenage Fanclub?

Pois é, o jogo até que ia rolando bem, com belas jogadas, entrosamento, na cartilha de uma guitar-band, como na grudenta "Stacy's Mom" , que fala da paixão platônica de um adolescente pela Mãe de sua amiga. O refrão chega a lembrar Rick Springfield, mas é legal.

Até que a partir de "Valley Winter Song" dá um branco no time e eles começam a levar uns contra-ataques, com uma irritante sucessão de baladinhas esquecíveis, e nem a presença de James Iha (ex-Smashing Pumpkins) na música "All kinds of Time" salva a banda de uma iminente virada no placar.

Na volta do intervalo, depois da bronca do técnico, um sopro de esperança com a empolgante "Little Red Light" , mas em um gol-contra tudo vai por água abaixo. Músicas muito ruins, com uma mistura de baladas country e uma constrangedora tentativa de soar sexy, com a terrível "Halley's Waitress" , um soul de quinta categoria.

Quer saber, não tive paciência de ficar até o final no estádio. Desliguei o som e, por um tempo, pensei que estava escutando um disco do Bryan Adams. Fuja.

Teenage Fanclub?? ahahah...



 Escrito por Osorio Coelho às 11h57
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GARAGE-COUNTRY

        

Uncle Tupelo - No Depression

Uncle Tupelo - Still Feel Gone

 

Em um dos posts passados falei sobre a minha "descoberta" do Country Rock. A palavra descoberta vem entre aspas mesmo, já que era muito mais um grande preconceito meu do que propriamente ter uma mente "aberta" (uia!!) para descobrir novos grupos.

Bem, o Uncle Tupelo veio justamente nessa onda de cavar mais fundo, após me envolver com o som do Wilco, de quem eu acabei completando a coleção. Eles, aliás, vão merecer um especial no futuro aqui no blog. Vale dizer que depois do Uncle Tupelo, seus ex-integrantes montaram boas bandas como o Son Volt e o próprio Wilco.

Já que vocês adoram um rótulo, vamos chamá-los de country-garageiros, ou tosqueira-country, ou quando The Band e Neil Young cruzam com os Ramones. Vocês podem escolher. A verdade é que após o lançamento de 4 discos e uma antologia, o som absolutamente visceral e juvenil deles continua atual e muito influente nessa terrível denominação que se ousou chamar de alt.country (credo!!).

Mais uma vez na Modern Music, após comprar todos do Wilco, resolvi seguir o conselho do dono da loja e escutar o tal Uncle Tupelo. Não gostei muito do nome, e depois vim descobrir que tem a ver com Elvis. Depois conto a razão disso. Comprei os dois primeiros, "No Depression" e "Still Feel Gone", com a incrível sorte de terem relançado todos os discos com versões remasterizadas e cheias de extras, outtakes e aquele pacote que vcs já conhecem.

O que realmente me chamou a atenção logo na primeira vez que os escutei foi a música "Graveyard Shift" , uma paulada garage que não faria feio em nenhum disco do Datsuns ou do Mooney Suzuki, com o diferencial de que eles possuíam o famoso sotaque caipira. A urgência segue em "That Year" , que convida os boiadeiros para um fazenda-mosh, ou em "Before I Break" , aonde um riff típico do AC/DC, cortesia do guitarrista Jay Farrar, convive com a endiabrada cozinha do baterista Mike Heidorn e do baixista Jeff Tweedy.

Claro que as raízes mais explícitas de sua bagagem country estão presentes nas músicas "No Depression" , "Whiskey Bottle" e "Life Worth Livin". Nas faixas adicionais uma bela homenagem a Gram Parsons com a cover de  "Sin City".

Já no disco posterior, "Still Feel Gone", com uma melhor utilização de recursos de estúdio captamos logo a imensa influência de Sonic Youth ("Gun" e "Fall Down Easy") e de bandas punk ("Nothing" e "Postcard"). A trinca "Still Be Around", "Watch Me Fall" e "True To Life" mais uma vez mostram a procedência rural dos garotos, com muita gaita, pedais steel e ramos de grama na boca.

Nas faixas-bônus o destaque vai para uma cover de uma banda completamente obscura (pelo menos para mim) chamada Soft Boys, com a música "I Wanna Destroy You" , um rock de arena levanta-estádio. Muito bom.

Para ser escutado com uma cerveja Miller na mao assistindo a um jogo da NBA, ou NFL ou o que seja. Se isso é ruim?? Eu acho muito bom.


 Existe um novo programa para baixar discos inteiros de artistas. Como o Vitrola Virtual é contra essa prática não vou colocar o nome do tal programinha aqui. Segue a conversa com o amigo que me contou sobre essa barbaridade:

- Fala uns discos aí pra eu baixar...

- Só se vc comprar depois. Isso é ilegal. - retruquei

- Se forem bons...

- Tenho certeza que vc vai gostar. Anota aí: "Born to Run", Wild Woods", "Who's Next" do The Who...

- Opa!!! Esse Who é uma merda!!

- Como?? Ficou maluco?? O que vc anda escutando???

- Pô véi...baixei todos os discos do Nickelback!!!!!! 



 Escrito por Osorio Coelho às 15h25
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GIVE RUSH A CHANCE

Aqui eu listo as 3 principais razões porquê vocês NÃO gostam do Rush:

1) A voz aguda do Baixista-vocalista Geddy Lee dá nos nervos. Sem falar que ele não é um dos frontmans mais apresentáveis do rock, digamos assim;

2) Os discos são muito pretensiosos. De obras baseadas em Tolkien até viagens interplanetárias. Música para estudantes de conservatório ou nerds. Ou as duas coisas juntas;

3) Os fãs do Rush são um saco. Pior do que os integrantes do MST. Xiitas. Ninguém mais aguenta ouvir pela enésima vez que Neil Peart é deus.

Pois bem, caros amigos, aqui vai um motivo para vocês deixarem de lado esse sentimento ruim e mergulharem em um dos melhores lançamentos do ano. O surpreendente:

   RUSH - Feedback

É notória a grande má vontade por parte dos ditos "indies" com o Rush, afinal enquanto esse apela para discos difíceis, megalômanos, conceituais e tal, aquele se baseia na estrutura low-fi, menos é mais, e por aí vai. Ou seja, exatamente o oposto.

A verdade é que precisamos ser justos e enaltecer uma banda que agora, comemorando sua incrível carreira de 30 anos, resolve lançar um disco que joga por terra praticamente todos aqueles motivos listados acima de "como odiar o Rush". Menos o último, afinal os fãs vão continuar sendo um pé no saco.

Ao invés de celebrações, lançamentos de coletâneas, uma mega-turnê (outra), ou alguma outra maneira grandiosa de comemorar a data, os canadenses resolveram lançar um despretensioso disco de covers daquelas bandas que os influenciaram e, de uma certa maneira, os incentivaram a proseguir em uma carreira não menos do que vitoriosa. Existe uma grande diferença entre bandas que passam muitos anos juntas, sem uma única briga e que se tornam grandes malas, subvertendo a máxima do rock'n roll, enquanto outras continuam com as brigas internas, com egos inflamados, mas ainda assim lançando discos poderosos.

O Rush nunca passou por nenhuma turbulência, a não ser quando da morte da esposa e da filha do baterista Neil Peart, onde se temeu pelo futuro da banda. Eles sempre souberam se equilibrar entre os caras "normais" do rock com discos indispensáveis. Obviamente que isso vai muito do meu gosto pessoal, afinal comecei a minha grande trajetória no rock pelo meu primo, com o disco "Exit, Stage, Left" , um duplo ao vivo (e olha que hoje eu nem gosto de discos ao vivo) que me arrebatou com a música "Xanadu".

Mas o motivo do post é o lançamento do disco "Feedback", que coloca no mesmo pacote bandas seminais como o The Who, através de "The Seeker" até Robert Johnson e seu blues "Crossroads" , em uma versão do grande Cream. O que para muitos pode parecer heresia, foi puro deleite para mim. Comparar o estilo brutal de Keith Moon com modo cerebral de Neil Peart (que abdica de toda a sua extraordinária técnica para ser "apenas" um baterista de rock) é entrar na eterna discussão de qual dos dois foi melhor. Não existe tal comparação, são estiços e épocas diferentes. Ouvir a incendiária introdução de "Summertime Blues" nos faz lembrar de como é bom ouvir uma boa banda de rock.

Uma homenagem respeitosa aos conterrâneos canadenses do Buffalo Springfield é válida, com "Mr Soul" e "For What It's Worth" , já que as covers não foram tão subversivas, mas coerentes com a idéia do disco, de apenas celebrar uma banda que não se esqueceu de que, no final das contas, eles são apenas uma "rock'n roll band".

Esse é o disco para quem é fã continuar sendo pentelho, e é também um disco para os detratores da banda refletirem um pouco e esquecerem desse ranço, curtindo o que existe de melhor no rock. A celebração.


Meus gêmeos estão para nascer, e tive que me mudar temporariamente para a casa do meu sogro. A família vai ajudar, e tal...aquela coisa de todo mundo querer pegar as crianças e dar sua parcela de suporte.

Me afastei temporariamente dos meus discos. Não dava para levar quase 1000 discos junto comigo. Os eleitos foram os meus imortais: Bruce Springsteen, Lou Reed, Neil Young, David Bowie e Paul Weller...

Será que eu escolhi bem? Medo...  



 Escrito por Osorio Coelho às 10h59
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Echo & the Bunnymen - Ocean Rain
Echo & the Bunnymen - Echo & the Bunnymen

Me dá um certo desânimo quando lembro de todos os discos que eu tinha em vinil e que vou ter que comprar de novo, afinal me roubaram todos depois de uma festa, na qual eu fui um "colocador de músicas para os outros dançarem". Para ser chamado D.J., vc precisa ser muito bom e não cometer a burrice que eu cometi ao deixar todos os meus vinis dentro do porta-malas do carro.
Dentre eles todos os discos do Echo & the Bunnymen, uma das poucas bandas que teimaram em não lançar nenhum disco ruim. Até mesmo os mais recentes, que serão alvo de um post futuro. O que interessa agora são as reedições especiais de todos os discos que estão saindo, com outras versões, músicas nunca lançadas e "remixes", vejam só.

Posso dizer que Ian McCulloch fez parte da minha vida musical, pois foram nos anos 80 que travei contato com algumas das bandas que me acompanham até hoje, e que não envelheceram com dignidade, ao contrário do Echo. É só ver o excelente disco "Flowers", lançado em 2001 e que honra as tradições da banda, sempre com altas expectativas.

Pra variar, na indefectível Modern Music, a loja cujo dono deve sorrir de orelha a orelha quando me vê, encontrei todos os relançamentos, mas como eu já tinha uma encomenda precisei optar por dois discos deles, e os escolhidos foram "Ocean Rain", e o seguinte "Echo & the Bunnymen", na minha opinião o melhor deles, apesar da música mais linda dos anos 80 estar em "Ocean Rain". Nem precisa dizer qual é, certo?

A diferença entre os dois álbuns é nítida, afinal enquanto que em Ocean Rain o sensível trabalho de cordas dá o tom romântico e sereno, aludindo à belíssima capa do disco, "Echo & the Bunnymen" é uma experiência arrebatadora, com clássicos absolutos como "The Game" e a maravilhosa "Lips Like Sugar", que me faz recordar uma situação em especial na vida que eu não posso revelar aqui no blog...eheh. Ficou marcado para sempre. Talvez pelo fato da banda viver em constante briga nessa época o disco tenha saído com tanto punch e exalando uma paixão que só encontra paralelos nas letras românticas de Mr. Lips.

São duas fases distintas, que permitem ao fã escolher entre o romantismo e lirismo total de Ocean Rain, e suas texturas intrincadas e suaves ao mesmo tempo, marcadas pelo extraordinário baterista Pete de Freitas, que, à primeira audição pode parecer um músico comum, assim como todos os integrantes da banda, mas que se revela um baterista de muitos recursos, apesar de econômicos.

As músicas extras são um caso à parte já que acrescentam em 8 faixas o disco "Ocean Rain", com apresentações ao vivo, incluindo uma de "All You Need is Love" dos Beatles e versões alternativas de músicas do disco. Imperdíveis, pois mostram uma banda meio blasè, quase preguiçosa como em "Silver" e "My Kingdom". Já em "Echo & the Bunnymen", o material é ainda mais precioso, com uma versão acústica de "The Game", uma extended mix da sensacional "Bring on the Dancing Horses", e músicas nunca lançadas, como "Hole In The Holy" e "Soul Kitchen".

São discos como esse que me fazem acreditar nos anos 80 e, se nada disso o convenceu, escute então "Killing Moon", a tal música que eu citei. Se alguma pessoa não se emocionar, muito provavelmente ela é completamente surda.

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Qualquer pessoa que adore música possui certas manias que ninguém, fora desse mundinho, poderia entender. Eu, por exemplo, sou o autêntico freak.
- Quando chego em algum lugar (garagem, estacionamento...) não saio do carro até a música terminar
- Posso estar escutando um disco antigo, mas o tiro ele enquanto não terminar, mesmo que um novinho em folha esteja aguardando.
- Não gosto de fones de ouvido. Todas as pessoas precisam escutar o que eu escuto...eheh

E vocês??


 Escrito por Osorio Coelho às 17h58
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NOVIDADES MUSICAIS

Esse post era pra ser algo mais elaborado, com um texto bonito e pseudo-inteligente, mas como tempo é um artigo raríssimo hoje em dia na minha vida, deixo de lado a minha pretensão crítico-musical para falar sobre alguns discos que comprei na última semana.

Obviamente erra quem fala que os blogs não servem para nada, servindo apenas como veículos para pessoas ditas "normais" fazerem desabrochar (uia!) o seu lado escritor e despejarem linhas e linhas de comentários inúteis sobre os mais diversos assuntos. Discordo totalmente. Sou a prova viva de que as opiniões dos amigos blogueiros, em especial esses que estão listados aí do lado, interferem no meu gosto musical, instigando a minha curiosidade para aumentar os meus horizontes musicais e tomar gosto por artistas que antes eram detonados por mim.

Não entenderam nada? Quando eu falar desses discos vcs vão captar a mensagem...

 ASH - Free All Angels  

O rock pode ser ao mesmo tempo divertido e inteligente. O Ash é a prova disso, já que seu power-pop consegue ultrapassar a barreira das bandinhas ditas "rockers" da última semana, com um vigoroso trabalho de guitarras que gruda na cabeça de um jeito que você vai se pegar cantando o tempo todo. Qual a diferença deles para essa praga emmocore que emporcalhou o power-pop? A diferença é uma música como "Shining Light" , integrante da categoria das músicas que vão fazer parte da sua trilha de verão. Uma banda ordinária nunca faria uma música bacana dessas. O colega Rob, do blog ChampVinyl tinha me dito sobre um disco do Ash que teria uma foto do vocalista em uma banheira cheia com uma garrafa de cerveja na mão. Rob, esse é o disco. Tks.

 CROSBY, STILLS, NASH & YOUNG - Deja Vu

Outra dica do pessoal da ChampVinyl. Um disco que me traz uma série de recordações esquisitas, pq me lembro de tê-lo visto na estante de vinis do meu primo (Júnior, um abraço) a pelo menos uns 20 anos atrás, e ele nunca me chamou a atenção. Preferi me concentrar no Rush e no Deep Purple . A verdade é que perdi um disco maravilhoso, aonde a qualidade dos integrantes molda um trabalho vocal inspiradíssimo, aonde o Country-Rock encontra a poesia. Sem falar que este disco tem a música "Helpless" , eternizada no melhor musical de todos os tempos por Neil Young, em The Last Waltz, da The Band. Fundamental.

 GANG OF FOUR - Entertainment

10 entre 10 bandas da atual renovação do pós-punk dos anos 80 (e essas também) precisam agradecer todos os dias por um dia essa banda ter aparecido na terra. Tudo está lá. Os riffs estridentes e econômicos da guitarra, o vocal meio esquizofrênico e um pé na pista de dança. Com inteligência, é claro. Não possuem aqui no Brasil o reconhecimento devido, já que as bandas do nosso rock também beberam muito do estilo Gang of Four. Para quem gosta de uma balada estilizada. Esse disco foi comprado depois de ler uma resenha sensacional do amigo Leandro, do blog Pop-Scene , que eu recomendo fortemente.

 NEIL YOUNG - Harvest Moon

O que falar de Neil Young que eu já não tenha falado aqui no blog? Bem, apenas dizer que esse disco foi gavado logo após o petardo guitarreiro "Ragged Glory" , o que representa um grande paradoxo, já que ele é, basicamente, um disco acústico. Perfeito para escutar ao lado da namorada (o), namorando ao som de belas canções como "Dreamin' Man" , "You and Me" e "Such a Woman" . Entrou direto na lista dos meus discos favoritos, e foi um dos únicos discos de toda a minha vida que eu terminei de escutar e coloquei de novo. Valeu a pena.

 ROD STEWART - Every Picture Tells a Story

Esqueça essa figura bonachona que aparece de vez em quando na televisão com sunguinhas nas praias do caribe com uma namorada 40 anos mais nova a tiracolo. Rod Stewart foi um dos caras mais legais do rock, e ponto final. Além de ter feito parte dos Faces (que acaba de lançar um box com tudo deles...hummm), lançou pelo menos 3 discos fundamentais de sua mistura endiabrada de rock e soul. Duvida? Coloque "Maggie May" e veja se eu estou mentindo. Depois disso duvido que sua idéia de Rod Stewart permaneça a mesma. É capaz até de vc perdoar a sunguinha.


Esses são apenas alguns exemplos de como essa comunidade blogueira pode sim ser importante na difusão de novas idéias e conceitos relativos a um monte de assuntos. Não só música. Recomendo a visita em todos esses blogs que estão em destaque, e esses que estão listados ao lado. Vcs não vão se arrepender.


E essa praga do Orkut hein? Se algum de vcs quiser me acrescentar à lista de amigos, ou quiser que eu acrescente, será um prazer.




 Escrito por Osorio Coelho às 17h26
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O ANJO CAÍDO

Eu nunca tinha escutado nada de The Byrds. De Gram Parsons então, nem se fala. Portanto, depois de ler uma série de matérias super elogiosas a ele em revistas gringas (Blender e Uncut) fiquei na maior curiosidade, mas nunca dava certo e eu acabava sem escutar nada dele. Até que um belo dia, ao chegar na Modern Music para pegar uns cds que tinham chegado (vide último post), vi o tal disco me olhando da prateleira. Uma edição dupla, luxuosa, com tudo o que realmente importava de Gram Parsons.

A grande desvantagem dessas caixas é que eles não deixam a gente abrir para escutar as músicas, portanto, em um ato de fé desembolsei uma p... grana (vou me reservar o direito de não dizer quanto paguei) e, morrendo de medo de não gostar do disco, coloquei no carro para tocar.

Involuntariamente, já que ele estava morto, Gram Parsons foi protagonista de um dos casos mais absurdos e surrealistas de toda a história do rock, quando teve o corpo roubado por seu amigo e carregado até o deserto do Mojave para ser queimado, em uma celebração bizarra, acertada anos antes entre os dois. Quem se tornasse um de cujus primeiro seria carbonizado. A história (verídica) rendeu até um filme, chamado Grand Theft Parsons, (uma brincadeira com o fantástico videogame Grand Theft Auto) com o Ex-Jackass Johnny Knoxville no papel de Phil Kaufman, o amigo de Gram Parsons.

Involuntariamente ele acabou criando um mito. Praticamente o inventor do Country-Rock.

 Gram Parsons - Sacred Hearts and Fallen Angels: The Gram Parson Anthology  

 O começo foi engraçado, afinal eles tinham trocado o disco de caixinha, portanto o disco 2 veio na capa do 1, e a primeira música que acabou tocando foi "To Love Somebody" , dos irmãos Gibb (Bee Gees) que, de cara me ganhou, com sua tristeza contida e sua melancolia. Com o jogo ganho, foi uma sucessão de músicas de arrepiar os cabelos, falando de garotas, amores perdidos e decepções, como as belíssimas "Love Hurts", "Slepless Nights" e "The Angels Rejoiced Last Night". Em uma mistura de blues, country, gospel, southern-rock ele acabou criando um estilo até então incipiente, hoje imitado e consagrado, apesar do aspecto manufaturado, sem a emoção consistente que as músicas de Parsons possuiam.

Falar das músicas é até covardia, pois são 46 canções que cobrem desde sua época do The Byrds, até músicas com as bandas The Flying Burrito Brothers e International Submarine Band. Um registro também digno de nota são seus duetos com Emmylou Harris, que elevam a música country a um outro patamar, de clássicos absolutos do rock'n roll. Ou vocês achavam que tal estilo não tinha nada com o rock? Ou vocês achavam que a música Country é muito cafona para ser conhecida? Eu pensava a mesma coisa e, felizmente, consegui enxergar beleza em um estilo que em geral nos faz lembrar apenas de botas, fivelas gigantescas e aquele sotaque horroroso dos Texanos. Gram Parsons te traz muito mais do que isso, uma compreensão quase que cósmica da beleza das letras e de suas canções, agora eternizadas em um disco que faz jus à grandeza artística dele.

Ainda bem que eu comprei o disco.


OS ÍDOLOS (IMPROVÁVEIS) DO VITROLA VIRTUAL

Bruce Campbell

Na nova seção do blog, vou listar alguns ídolos mais que improváveis, que merecem muito mais reconhecimento. O Vitrola Virtual vai lhes fazer justiça, e para começar o ídolo trash Bruce Campbell, da trilogia Evil Dead e, mais recentemente, protagonista de um dos melhores filmes de todos os tempos: "Bubba-Ho-Tep" , aonde Elvis (que não morreu, apenas trocou de lugar com um "impersonator") jaz em uma cama em um asilo para velhos no cafundó do Texas. Junto com JFK (que não morreu tb, apenas tem um pouco de areia no lugar aonde saíram seus miolos, e é negro!!!) combatem uma terrível múmia, que vem aterrorizar  o asilo em busca de almas para seu deleite. Obviamente o Rei Is Taking Care of Business. Homem Aranha?? ahahah...



 Escrito por Osorio Coelho às 17h59
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PSYCHEDELIA - Not too late

Tocou meu celular.

- Alô

- Fala Osório, é da Modern Music. Chegaram umas novidades. Depois dá uma passada aqui.

Putz, quando eu penso que vou dar um tempo na gastança desenfreada com meus discos...devo ser um cd-addict. Não é possível. Dou um pulo na loja mais tarde. Uma caixa com uns 50 discos novos, todos importados.

ai...

Nem preciso dizer que eu parecia uma criança dentro da Toy 'r Us em New York, babando com os novíssimos lançamentos e os relançamentos. Jesus and mary Chain...Josh Rouse...a Antologia do Gram Parsons??? O novo do Wilco. Meu Deus.

Nunca fui um grande fã e nem entendedor do psicodelismo, mas resolvi tirar a limpo esa minha implicância com as músicas feitas sob a influência de substâncias ilegais. Pra falar a verdade eu tinha escutado apenas o Pink Floyd, que todos aqui sabem não ser a minha banda preferida. Longe disso. Mas na época do lançamento do filme "The Cable Guy" , com  Jim Carrey (um filme subestimado, aliás. Cheio de referências a humor negro. Talvez por isso tenha sido um fracasso, afinal a população mundial está em um processo de emburrecimento generalizado), fiquei fascinado com a música "Somebody to Love" , do Jefferson Airplane, uma das bandas que tocava o tal som psicodélico. Achei legalzinho, mas a música citada é muito boa.

Pulamos para 2004 e dois discos caem na minha mão da maldita (bendita?) caixa de papelão:

         

The Zombies - Odessey and Oracle

The Flaming Lips - The Soft Bulletin

O que esses dois discos estão fazendo aqui juntos? Simples. A temática psicodélica. As influências, não só das tais substâncias ilegais, e merecedores da complicada pecha de clássicos.

Foi difícil segurar o meu queixo quando coloquei a música "A Race for the Prize" dos Flaming Lips. Uma mistura de eletrônica, com grandiloquência. Baixo estourado (coitado do som do meu carro), sequencers, melodia. Tudo junto em nome da tal psicodelia, afinal desde a maravilhosa capa (uma das mais bonitas da década passada) até as experimentações dignas de um Chemical Brothers ainda mais alucinado (ou vcs acham que eles não foram influenciados por "Exit Planet Dust" ??). Talvez esse limite explorado no disco só encontre paralelos no anti-pop praticado pelo Radiohead a partir de "Kid A" , mas sem a mesma auto-indulgência nem a esquisitisse.

Enquanto isso os Zombies vieram lá dos anos 60, com um disco que é considerado um dos melhores de todos os tempos. Já li em algum lugar que esse poderia ser chamado de o "Pet Sounds" deles, mas essas comparações, além de serem desnecessárias, não fazem jus a um trabalho maravilhoso de pop-psicodélico, ao som de muito mellotron e...substâncias proibidas...eheh.

Difícil estabelecer um paralelo entre as duas bandas, já que são mais de 30 anos de diferença entre eles. Mas, infelizmente, acredito que elas não obtiveram no seu devido tempo o reconhecimento necessário, capaz de elevá-los, na época, a condição de clássicos absolutos. Enquanto que o pop-cabeça de "Waitin' for a Superman" ,  do Flaming Lips mostra que o pop radiofônico pode ser inteligente e instigante, a maravilhosa "Time of the Season" dos Zombies serve para tornar o seu dia mais ensolarado, em uma deliciosa mistura de pop com rock bubble-gum. Só escutando. Aliás desconfio que já ouvi essa música em algum filme. Se vcs souberem de algo, podem me ajudar.

Finalizando, a quebra de conceitos, em favor do ideal musical, em adversidade ao jabá radiofônico pode produzir pérolas que, enquanto forem esquecidas (mea culpa) pelo grande público, são capazes de mudar idéias pré-estabelecidas sobre algum rótulo musical. No caso, o psicodelismo. 


- Vai levar mais alguma coisa? - O vendedor me perguntou

- Não cara...já basta...- respondi meio desconfiado.

- Espera aí - Abriu mais uma caixa...

O novo do Nick Drake. A edição especial do primeiro disco do The Who. Um ao vivo do Paul Weller.

Meu Deus.

 



 Escrito por Osorio Coelho às 18h22
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OPORTUNIDADES

Como uma pessoa que praticamente não sobrevive sem boa música, preciso estar sempre me atualizando, procurando coisas novas e redescobrindo artistas antigos. O grande problema disso é o preço absurdamente alto dos cds, que acaba tornando minha obsessão uma coisa extremamente cara. E, para piorar a situação, costumo comprar muitos discos importados. A maioria, aliás.

Quando soube que a filha da irmã de minha cunhada (entenderam?), que mora nos EUA, viria passar uma temporada aqui em Brasília, não perdi tempo e pedi que ela trouxesse uns cds, comprados pela bendita Amazon, entregues na casa dela, na California. Vou apenas citá-los e colocar um pequeno comentário sobre cada um. Gostaria de saber a opinião de vocês sobre os discos escolhidos. Simbora.

 Marc Bola's T. Rex - 20th Century Boy - The Ultimate Collection

Marc Bolan foi um dos ícones do tal Glam Rock, cuja explosão ocorreu nos anos 70, em uma mistura de rock, sexo, purpurina e muita, mas muita diversão. Como eu não gostava muito da fase inicial do T. Rex, nunca comprei nada deles, até achar essa sensacional coletânea, que captura tudo o que realmente importa da banda. Desde a irresistível "Get It On" até a ultra-regravada "20th Century Boy" , culpada pela existência de bandas hoje tão díspares como o esquecível (mas divertido) Sigue Sigue Sputnik até os posers do Guns 'n Roses. Em uma festinha modernete experimente colocar a segunda parte desse disco. Duvido que alguém fique parado na pista de dança. We all love to boogie.

 Ocean Colour Scene - North Atlantic Drift

Uma das bandas mais legais que surgiram no tal Britrock. Totalmente influenciados pelo mod dos anos 60, com uma pitada de soul e blues eles possuem como característica principal um groove demoníaco capaz de provocar rachaduras na caixa de som. Nesse disco eles acabaram por deixar de lado um pouco o balanço para investir em algumas músicas mais levanta-estádio, com refrões inesquecíveis e grudentos. Nao chega ao brilhantismo do impecável "Moseley Shoals" , mas serve como grande contraponto ao deserto de idéias ruins que assolam a música atual. E são meio que "apadrinhados" por ninguém menos do que Paul Weller. Ou seja, possuem pedigree.

 David Bowie - Hunky Dory

O que dizer de David Bowie que ainda não foi dito? Nada eu acho. Apenas que esse disco entrou diretamente na minha parada pessoal de top ten como um dos melhores discos que eu já escutei na vida. Ele conseguiu a incrível proeza de ser ainda melhor do que o maravilhoso "Low" , que eu imaginava ser impossível de ser subjugado. A verdade é que Bowie, como um visionário sempre se cercou das melhores pessoas e, nesse caso, continuou sua parceria com o grande Mick Ronson e colocou no piano ninguém menos do que o prog-chato Rick "Clayderman" Wakeman. Se não me engano o chapa Ricardo Schott do excelente Discoteca Básica já fez uma resenha sobre esse disco (ou apenas um comentário) colocando-o como grande influência para artistas Brasileiros, como Guilherme Arantes. David Bowie, um dos maiores artistas vivos.

 Neil Young - Zuma

Para terminar, Neil Young nunca é demais, em um disco que seria como um embrião do perfeito "Ragged Glory". Muitas guitarras, produção suja, a banda Crazyhorse na ponta dos cascos (ops...) e aquela emoção caracerística dele em cada canção. "Danger Bird" já mostrava o que seria a colaboração do Pearl Jam com ele em "Mirrorball" , enquanto que o épico "Cortez the Killer" foi devidamente assassinado (ops de novo...) pelo mauriçola Dave Matthews. Ou seja, ter a griffe Neil Young é garantia de qualidade total nas canções.


 



 Escrito por Osorio Coelho às 18h24
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