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BE AFRAID, BE VERY AFRAID

THE EYE - The Pang Brothers
Eu adoro filmes de terror. Todos os seres humanos possuem um lado meio masoquista de encarar a vida, visto que todos adoram uma montanha-russa, um esporte radical ou até mesmo escutar um disco do Caetano Veloso. O filme de terror possui uma atração irresistível sobre as pessoas, nem que seja uma desculpa para agarrar a namorada ou o namorado que vai estar ali do lado. Mas a verdade é que todos nós temos um pouco de curiosidade sobre o desconhecido, neste caso representado em forma de filmes de terror. Claro que a obra completa dos Tribalistas também pode representar uma coisa mais assustadora do que o inferno na terra, mas meu cérebro não suportaria uma experiência dessas. Fico com os filmes gore. O problema é que a grande maioria dos filmes de terror e suspense são muito ruins, uns sendo pastiche de outros, num círculo vicioso que coloca o público - nós -, amantes de filmes assim, rodeados de porcarias que mais se parecem com um amontoado de atores ruins, soterrados por um roteiro de dar dó. Para completar o nosso infortúnio, uma onda de coisas politicamente corretas invadiu os EUA, o maior produtor de filmes mundiais, fora Bollywood, que acaba se refletindo nos modorrentos filmes, preocupados com a censura e os famosos cortes na edição final. It sucks. Essa acaba sendo a grande vantagem dos estrangeiros, principalmente os Orientais, que longe das amarras da patrulha ideológica pode lançar obras fetichistas, incorretas e bacanas sem que ninguém seja execrado por causa disso.
Essa introdução foi para falar do grande filme "The Eye", dirigido pelos Pang Brothers. Feito na Tailândia, segue a premissa do "I see dead people", de Shyamalan, aonde uma garota (a gracinha Angelina Lee), cega desde criança, vai fazer uma operação para transplante de córnea, com resultados perturbadores. Após o sucesso da cirurgia ela começa a enxergar pessoas mortas, que ainda não abandonaram nosso plano existencial, e ficam vagando como almas penadas. E daí? Dezenas de filmes falaram sobre a mesma coisa com resultados desastrosos. A excelente direção não deixa tudo muito fácil, com sustos programados, cortes rápidos, música alta e tal. Eles apelam para a sugestão, aonde nós sabemos exatamente o que vai acontecer, mas a espera até a cena é praticamente insuportável. Se vocês não acreditam no que eu estou falando tentem entrar em um elevador sozinho de madrugada depois de assistir a esse filme...
Claro que existe uma explicação para o "poder" de nossa heroína, coisa que qualquer um mais inteligente descobre de cara, mas não impede de termos a mente assaltada por um dos filmes mais bem realizados e mais assustadores que eu vi nesse ano.
Nessa mesma onda Tom Cruise já comprou os direitos para a refilmagem, coisa normal hoje em dia, em se tratando dos débeis mentais que habitam aquele País, aonde as pessoas se recusam a assistir um filme com legendas.
Agora é torcer para os filmes "Dark Water" e "The Tale of Two Sisters" sairem logo em dvd região 1, pq no cinema...pode esquecer. E, adivinhem? São todos Orientais... Imperdível.
9/10
Escrito por às 18h52
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DISCOS DO CARRO

SUPERGRASS - Life in Other Planets Taí uma banda que não teve vergonha de ir direto ao assunto, quando se trata de música para animar uma festa moderninha, sem descambar para a necrofilia musical. Foram beber direto no glam rock, dos anos 70, aonde ninguém tinha vergonha de usar roupas coloridas, muita maquiagem e muitas guitarras, sem deixar a melodia e a animação de lado. Logo na capa do disco a estética setentista pode enganar os mais desavisados, que podem pensar se tratar de mais um grupo que não conseguiu evoluir. Ledo engano, pois este já é o quarto disco do Supergrass, que teve um suspiro de sucesso no Brasil com a legalzinha "Alright", do seu disco "I Should Coco", inferior a esse "Life in Other Planets". De cara podemos notar na música "Za" ecos de T-Rex e Marc Bolan, referências mais que explícitas durante o disco todo, também em "Rush Your Soul" e, principalmente em "Grace", que pode levantar e transformar em uma festa até mesmo o mais triste dos funerais. Se você não tiver vergonha de dançar, e mesmo se tiver, não pense duas vezes e coloque esse disco para tocar, vai ser um sucesso na certa. Gostou? Escute as trilhas dos filmes "Velvet Goldmine" e "Hedwig".

DEVO - Greatest Hits Minha vida musical se deve muito ao Devo. Um dos primeiros vinis de toda a minha vida foi o "New Traditionalists", que me assombrou, pois eu esperava encontrar um disco de New Wave, naquele esquema quadradão, estilo Go-Go's e B-52's. Qual não foi a minha surpresa ao me deparar com uma banda que pode ser tudo, menos enquadrada em um qualquer rótulo, pois eles transitam desde o power-pop até o experimentalismo total, passando também por músicas "dançantes", mas cheias de ironia em suas letras, dando um chute na boca do estômago do chamado american way of life, aonde eles pregavam a involução da raça humana, a tal Devo-Lution. Ou seja, a raça humana vai ficando cada vez mais parecida com os homens das cavernas, ao invés de evoluir. Toda essa ácida ironia pode ser sentida nas músicas da banda, que tem nesse "Greatest Hits" uma pequena amostra da capacidade intelectual e musical da banda, que, infelizmente não dá as caras a um tempão. Fazem uns anos que não escuto falar deles. Tudo pode ser encontrado nesse disco, desde o eletropop de "Big Mess" e "Here to Go", ou o power-pop de "Gates of Steel" e "Girl U Want" até uma louquíssima versão de "Satisfacion" dos Rolling Stones, bem ao estilo do Devo. Apesar da clássica "Beautiful World" estar no disco, é uma pena que as músicas do disco "Shout", o mais lisérgico e ousado da banda, não estejam presentes. Duvida? Escute a versão deles para "Are You Experienced"? de Hendrix. Um pequeno pedaço de uma banda fundamental dos anos 80. Gostou? Escute: "Little Creatures" do Talking Heads.
Escrito por às 18h36
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