VITROLA VIRTUAL


CDS DO CARRO

COMBO TELEVISION




Pode ser uma afirmação meio polêmica, mas tudo o que realmente
inovou na música foi feito até o início dos anos 80. As idéias,
as grandes músicas foram criadas até aí, criando depois disso um
ritual antropofágico, o qual assistimos passivos, aceitandoe tudo o que é relacionado com isso, mas de uma
maneira sacana, sem ser assustadora, como nas bandas de black-metal,
que diziam ter parte com o coisa-ruim.
No caso de Rob Zombie a coisa ia mais pelo lado "B" da coisa mesmo,
tipo aqueles filmes de terror gore, que mais fazem dar risadas do
que
qualquer coisa como se fosse a salvação do rock.
Quando se fala hoje na banda The Strokes, por sinal uma boa banda,
precisamos olhar para trás, mais precisamente nos anos 70 e saber
quando o tal NY Sound foi concebido, e de onde o hype que hoje
varre o mundo todo, originalmente saiu.
Época de corrupção policial, drogas, uma Nova Iorque suja e menos
mainstream do que é hoje, sem a megastore da virgin e sem o
programa tolerância zero, produzia quilos de bandas legais, que
tinham como um dos templos da música o mítico CBGB.
Para a geração acostumada com uma cidade limpinha e certinha,
meca do turismo mundial, sugiro assistir aos filmes de Al Pacino
"Um dia de cão" e "Serpico" para ter uma pequena idéia do que estou
falando.
Os músicos, que não tinham nada com isso, ou às vezes por causa
disso, movimentavam a parte cultural da cidade com bandas que
incluiam desde o Talking Heads de David Byrne até os Ramones e suas
calças rasgadas.
E também tinha a banda do guitarrista Tom Verlaine, o Television.

Dois discos dessa banda deveriam ser incluídos em qualquer
discoteca básica que se preze, afinal foram uma matriz de muita das
coisas que as pessoas escutam hoje e imaginam ser o grupo mais cool
do mundo, como o já citado Strokes.

Marquee Moon, principalmente, é um disco tão bom que fica difícil
citar alguma música em especial, mas a melodia de guitarras
sobrepostas de "See No Evil", aonde uma delas prepara a cama para o
solo estilo teclado de Verlaine, ou então a própria "Marquee Moon",
e seu riff de guitarra em descompasso com o baixo e a bateria que
poderia estar em qualquer um dos discos do Strokes.
Pra variar, o tão falado minimalismo aparece nas faixas "Elevation"
e "Venus", mas o que se sobressaía era a incrível capacidade de
Verlaine de criar melodias facilmente reconhecíveis, como um
carimbo de sua extrema qualidade como compositor e produtor.

Já em Adventure, de cara podemos perceber vocais um pouco mais
elaborados, como em "Glory"e sua sensacional linha de baixo-bateria,
como uma parede para os solos melódicos de guitarra. Uma audição
mais desavisada pode confundir com teclados as belas guitarras de
"Days", enquanto que em "Foxhole" ele experimenta um riff mais sujo,
colocando um timbre esquisito na bateria. Faz lembrar as bandas de
hard-rock dos anos 80.
A mais parecida com o disco anterior é "Ain't That Nothing", que
combina os novos vocais da banda com o minimalismo de Marquee Moon.

Em suma, se você acha que o que Nova Iorque produz hoje é a coisa
mais moderna do mundo, pense que o futuro é passado, baby.

Para quem gosta de: Strokes, Radio 4 e todas as bandas que surgiram
em NY nesses últimos tempos.


 Escrito por às 15h45
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ÍCONES ELETRÔNICOS

KRAFTWERK - THE MIX
AFRIKA BAMBAATA - LOOKING FOR THE PERFECT BEAT




Provavelmente todas as pessoas que habitam o nosso planeta (estou
falando das pessoas mais ou menos culturamente ativas)já escutaram o
Kraftwerk.
Como assim???
O Kraftwerk é simplesmente um dos grupos mais influentes da música, cujos
tentáculos alcançam as mais diversas denominações musicais, incluindo
aí o rock o pop e, obviamente, a música eletrônica.
Com o disco "The Mix", o Kraftwerk conseguiu condensar toda sua
brilhante carreira em versões remixadas de seus maiores sucessos,
literalmente falando, pois as músicas não raramente ultrapassavam a
barreira dos 8 minutos.
Com discos quase conceituais o Kraftwerk fincou no imaginário pop a
imagem de desbravadores do incrível mundo da música eletrônica, aonde
desde uma calculadora ("Pocket Calculator"), até as rodovias
super-rápidas da Alemanha eram homenageadas ("Autobahn").
A grande dificuldade de reproduzir ao vivo as experimentações do
estúdio acabaram forçando o grupo a carregar nas costas todo o grande
aparato eletrônico-digital, o lendário estúdio KlingKlang, que, por sua
vez, forçou os homens-robôs a fazerem poucos shows, o que é uma pena.
A estética minimalista-robótica é uma constante na carreira do grupo,
que no auge da lambança new wave-tecnopop, de bandinhas com pretensões
"mudernas" (alguém aí se lembra de Sigue Sigue Sputnik ou Information
Society???). , lança um petardo chamado "Eletric Cafe", aqui presente
com uma medley das sensacionais "Boing Boom Tschak" e "Musique Non Stop".
Como uma resposta retrô-futurista o Kraftwerk mais uma vez se colocou
na vanguarda do que estava rolando de mais legal nos anos 80.
Com todos os alicerces firmados, o disco "The Mix" vem coroar o futuro,
em uma banda que prega a modernidade, nunca deixando de olhar para
trás.

Aonde entra Afrika Bambaata nessa história?

Além de ser um dos artistas influenciados pelo grande Kraftwerk, se
algum de vocês ainda não sabem, ele simplesmente utilizou a música
"Trans Europe Express" como base para o seu maior sucesso "Planet
Rock", com a qual ele sedimentou a fama de ser talvez o mais importante
artista de hip-hop de todos os tempos. Será que eu falei besteira?
O mais incrível disso tudo é a transferência de influências que existe
na música pop. Vejamos: Kraftwerk influenciou Afrika Bambaata, que por
sua vez influenciou toda leva de rappers que se seguiu, desde Run DMC
até o recente rapper Brasileiro Marcelo D2, passando pelo incrível
Outkast.
O disco "Looking For the Perfect Beat" passa em revista parte de sua
carreira (1980-1985), marcada pela forte crítica social em suas letras,
mas, ao contrário do pessoal do Gangsta, cheia de mensagens de união
cósmica, em um estilo meio hippie-doidão, presente na sua Zulu Nation.
Mas esse papo meio "pode crer" não atrapalha os grandes eletrofunks que
são despejados sem dó nos ouvidos, prontos para testarem os graves e
agudos do som do seu carro. É só tomar cuidado para não serem confundidos com os famigerados
Bondes de Tigrões, Tati Quebra-Barracos e tais, que chupam também todo
o beat das músicas.
Com participações como James Brown na Funky "Unity Pt 1", e o grande
Soul Sonic Force (Mr Big, Pow Wow, G.L.O.B.E) nas fundamentais "Renegades
of Funk" (que teve uma espetacular cover do Rage Against the Machine),
e a própria "Planet Rock", paraíso dos Breakers, que invadiram o Brasil
no início dos anos 80.
Tire esse preconceito da sua cabeça e conheça a obra de um dos fundadores
do movimento hip-hop. Duvido que o seu pé não vai ficar acompanhando
as músicas na hora em que seu carro estiver parado.


 Escrito por às 19h11
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TRILHAS ESPERTAS

CULTURA POP?

Os livros de Nick Hornby estão para a literatura assim como os filmes
de Cameron Crowe estão para o cinema. Lotados de referências pop.
Claro que eles não foram os primeiros, mas em tempos de ranger de dentes
nessa área podemos citá-los como partes importantes de uma engrenagem
que começava a dar sinais de desgaste no final dos anos 80, maldição
que foi salva por um tal de Nirvana. Mas isso é uma outra história.



Cameron Crowe desde o início de sua carreira trazia em seus filmes uma
grande bagagem roqueira, se aproveitando do estouro do grunge de Seattle
em "Singles" e extrapolando todos os tipos de homenagens no subestimado
"Vanilla Sky", provavelmente um dos filmes com mais referências pop
da história do cinema, fora o Tarantino.
No caso de "Almost Famous", sua trilha beira a perfeição, servindo muito
mais como tapete para as aventuras/desventuras de seu alter-ego na
companhia da Banda Stillwater.
O momento de descobrimento, de salvação pelo Rock está representado por
The Who (Sparks), Beach Boys (Feel Flows) e Simon and Garfunkel, com
America.
A afirmação musical, assim como um carimbo de tudo aquilo que ele
acredita realmente vale a pena, traz Led Zeppelin (That's The Way) e Yes
(I've Seen all Good People), como que mostrando que vale a pena continuar
buscando os ideais juvenis do Rock.
O renascimento dessa paixão traz Rod Stewart, David Bowie e, em uma das
cenas mais bonitas de todo o filme, Elton John (Tiny Dancer),
com um simbolismo de união e perdão, que mostra, de uma maneira
simplória, como a música, e em especial o Rock, podem salvar vidas,
carreiras e a alma de uma pessoa.
O engraçado é que a música da banda do filme, Stillwater (Fever Dog),
foi composta por Nancy Wilson, ex-integrante do Heart, um dos grupos
frequentadores daquelas coletâneas de cigarro que eram lançadas todo
ano.
Cameron Crowe consegue assim criar uma trilha eclética (odeio essa palavra)
que sintetiza exatamente a mensagem do filme.
Descubra o Rock. Tenha a sua vida modificada e nunca mais seja o mesmo.



No caso de Nick Hornby, a adaptação de seu livro "Um Grande Garoto"
para o cinema veio acompanhada de uma boa trilha sonora.
Damon Gough, a.k.a. Badly Drawn Boy foi escolhido a dedo por Hornby
para compor todas as músicas, acertando em cheio no alvo.
Suas canções, entrecortadas por pequenas inserções instrumentais, são
o mais puro pop, lembrando desde canções folk até o rock dos anos 60.
Ele apenas erra o alvo quando utiliza alguma programação eletrônica,
como uma beatbox insípida, e teclados que lembram o pior do Tecnopop
dos anos 80, mas, sorte nossa, isso não tira o brilhantismo do álbum.
Pelo menos 3 músicas merecem ser citadas, pois são de um lirismo e de
uma candura que faz nosso dia ficar melhor e mais ensolarado.
Enquanto que "Something to Talk About" nos lembra Beach Boys,
"Silent Sigh" chega quase à perfeição pop, com uma melodia que não vai
sair da cabeça durante o dia todo.
"Donna and Blitzen" fecha o disco de maneira brilhante, como uma
daquelas músicas que poderia estar sendo tocada por uma banda qualquer
dos anos 50, enquanto dançávamos com o rosto coladinho, sem pensar em
outra coisa a não ser no inevitável beijo.

Nick Hornby e Cameron Crowe sabem das coisas.

 Escrito por às 13h09
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