ROB ZOMBIE PT. 1

A primeira vez que escutei algo da ex-banda de Rob Zombie, o White Zombie, foi em um antigo videogame da Panasonic chamado 3DO, em um desses jogos-imitação do Mortal Kombat. Enquanto a pancadaria comia no jogo, só dava White Zombie na trilha. Nem precisa dizer que fiquei fissurado com o grupo, principalmente pelo peso das guitarras, e pelo vocal esquisito, praticamente vomitado de Zombie. Louco por filmes de terror trash, e quadrinhos, Zombie sempre cuidou pessoalmente da arte gráfica de seus discos, com desenhos de demônios, caveiras e tudo o que é relacionado com isso, mas de uma maneira sacana, sem ser assustadora, como nas bandas de black-metal, que diziam ter parte com o coisa-ruim. No caso de Rob Zombie a coisa ia mais pelo lado "B" da coisa mesmo, tipo aqueles filmes de terror gore, que mais fazem dar risadas do que assustar, que despejam litros de sangue falso, aonde sempre rola um peitinho da heroína e o mocinho sempre morre. Coisa fina, como podem perceber. É só vcs assistirem a "Evil Dead" de Sam Raimi que entenderão o que eu estou falando.
Zombie sempre flertou com a eletrônica, coisa que veio a se tornar constante após o primeiro disco, o mais "orgânico" de todos, "La Sexorcisto: Devil Music Vol. 1". As músicas, via de regra, começam com diálogos e barulhos de filmes de terror, nesse caso "The Night of the Living Dead", preparando a pancadaria sonora de "Welcome to Planet Motherfucker", aonde uma guitarra metal duela com uma bateria cavalar, se repetindo nas músicas "Thunder Kiss '65" e "Grindhouse (a go-go)". Mas os destaques ficam mesmo para as músicas "Soul-Crusher" e "Comic Monsters Inc." que mostram as palhetadas da guitarra, relembrando o som das bandas de metal do início dos anos 90.
No seu disco seguinte, "Astro Creep:2000" Zombie começa a inserir alguns elementos eletrônicos, mas o principal não muda, com as guitarras pesadíssimas, bateria que mais parece uma avalanche, e as indefectíveis vinhetas de filmes de terror. O destaque absoluto fica para a música "Super-Charger Heaven", aonde um riff poderosíssimo de guitarra chama qualquer um para o mosh. Além de brincar com a questão religiosa em várias músicas, no seu modo particular, sempre com muito deboche, vale citar alguns nomes de músicas, que são uma atração à parte, como "More Human Than Human" e "El Phantasmo and the Chicken-Run Blast-o-Rama". Deixando de lado os dogmas religiosos dá pra se divertir bastante com a paulada sonora do segundo disco do White Zombie, que não envelheceu em nada, coisa que aconteceu com o primeiro, que soa um pouco datado.
No terceiro disco, somente de Remixes do disco "Astro Creep:2000", fica óbvia a ligação de Zombie com a eletrônica, aonde todos os sucessos caem como uma bomba em qualquer pista de dança. Mas a grande sacada de Zombie foi com o encarte, que traz várias modelos dos anos 60 em poses sensuais, com um visual bastante "shagadélico". Yeah, baby...Perfeito. O que já era meio doentio, vira completamente alucinado com as remixes de músicas como "I, Zombie (Europe in the Raw Mix)", a já citada "More Human than Human (Meet Bambi in the King's Harem Mix)" e a sensacional remix da cover que eles fizeram de "I'm Your Boogie Man (Sex on the Rocks Mix)", feita pelos Dust Brothers. Não existe zumbi ou múmia que ficaria parado escutando qualquer uma das músicas. Os nomes das remixagens mostram a capacidade de Zombie de sacanear tudo e todos e nunca se levar a sério, o que é uma enorme vantagem no rock'n roll. Para quem gosta de: Slayer, filmes do Dario Argento e Roger Corman.
Mais para a frente a segunda parte, com a carreira solo de Rob Zombie.
Escrito por às 21h43
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