VITROLA VIRTUAL


OS DISCOS QUE SALVARAM A MINHA VIDA
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DAVID BOWIE - LOW

Tenho que confessar a minha ignorância em relação à Bowie. Eu não
tinha absolutamente nada dele na minha coleção, quando escutei na MTV
uma chamada sobre ele, aonde a música "Be My Wife" era tocada.
Eu simplesmente não acreditei que uma música tão boa pudesse ser de
Bowie, afinal eu não entendia o culto a uma pessoa que tinha feito
coisas execráveis como o Tin Machine e Labirinto.
Das poucas coisas que eu sabia serem boas dele estavam as parcerias
com o Queen (Under Pressure) e Pat Metheny (This is not America).
Mas era muito pouco para uma personalidade tão influente.
Eu pensava dessa maneira até escutar o disco "Low", da chamada
trilogia de Berlim, aonde ele se recolheu para reinventar totalmente
sua carreira e confirmar a alcunha de uma das maiores influências de
todos os tempos na música.
Estética minimalista, chupada de Kraftwerk, ajudado por ninguém menos
do que o mago dos teclados Brian Eno, o que confirma a predominância
"climática" em músicas como a instrumental "Speed of Life" e "Always
Crashing in the Same Car", sem perder a veia pop nas músicas "Sound
and Vision" e a já citada "Be My Wife".
O problema de cds em relação a discos de vinil é a tal história de que
os artistas podem criar obras diferentes para cada lado do disco, o
que não ocorre em um cd. Só isso para explicar aos incautos que não
irão entender nada das últimas 4 faixas, aonde Bowie e Eno criam
camadas etéreas que fazem todo o sentido, sem pensarmos em uma obra
completa, com dois lados distintos que continuam influenciando até hoje
toda uma geração de pessoas.



MACHINE HEAD - DEEP PURPLE

Um dos discos mais famosos da história do rock, me reapresentou os
grupos que praticamente são os Pais de todas as bandas que se metem
a fazer rock hoje em dia.
Talvez seja a maior reunião por metro quadrado de gênios musicais e,
de quebra, de egos inflados, o que, via de regra, sempre acabam
criando clássicos do rock mundial.
Machine Head não fugiu à regra, aonde eles estabeleceram os parâmetros
de peso, melodia, riffs e tudo mais que vem sendo criado nos tempos
atuais.
"Highway Star" é aquele rockão perfeito para ser escutado em uma
rodovia, alimentado pelo teclado de Jon Lord, que influenciam diversas
bandas hoje, como Spiritual Beggars e Mushroom River Band.
Enquanto que "Pictures of Home" mostra a genialidade de Ian Paice, um
baterista extraordinário, com raízes funky, "Smoke on the Water",
talvez uma das músicas mais tocadas por bandas cover no mundo todo
(pode ter certeza, você já escutou esse riff em algum lugar) confirma
que Ritchie Blackmore, apesar de seu ego incontrolável, era figura
insubstituível na banda, com suas raízes clássicas, totalmente
exploradas em seu projeto solo "Rainbow", que vai ser objeto de
comentários aqui no blog no futuro.
Nada disso seria válido, se não existisse um gogó como o de Ian Gillan.
É só escutar "When a Blind Man Cries" e se ter a certeza de que como
uma banda essencialmente de blues ainda é referência para todas as
bandas, sejam de metal ou hard rock nowadays.



THE BENDS - RADIOHEAD

No meio dos anos 90, a Lobão nunca fez tanto sentido para mim quando,
tempos atrás ele disse que o Rock errou. Nada tinha mais graça, em
um tempo recheado de boy bands e efemeridades.
Até eu conhecer o Radiohead.
Antes de tudo tenho que dizer que sim, "Ok Computer" é um disco
clássico, merecedor de todos os prêmios, mas "The Bends" me emocionou
muito mais do que qualquer coisa que eu tinha escutado, e a culpada
foi a música "Fake Plastic Trees".
Como é que alguém podia soar tão triste, tão depressivo em um disco e,
de certa forma mostrar que tudo fazia sentido? "She tastes like the
real thing, my plastic love". Tudo era falso, tudo importava. Por mais
paradoxal que isso possa parecer, Thom Yorke mostrou para mim que,
mesmo através da tristeza (The Bends), da falta de esperança (Nice
Dream) e da escuridão (Black Star) pode existir beleza.
Pronto, a década estava salva. Lobão estava errado.



RAGE AGAINST THE MACHINE - RAGE AGAINST THE MACHINE

E eu que pensava que nada mais do que eu poderia escutar na vida
seria capaz de me impressionar.
Que engano.
Com uma das estréias mais incendiárias de todos os tempos, o Rage
Against the Machine foi o responsável por um zumbido nos meus ouvidos
por mais de 1 semana.
Falando como fã mesmo, eles me deram a certeza de que a mistura de
metal com funk poderia ser legal, que bandas panfletárias e engajadas
não tinham que ser necessariamente um pé no saco e que um guitarrista
ainda podia reinventar seu instrumento.
Sim, Tom Morello é capaz de tirar de sua guitarra, entupida de efeitos
sons de sirenes, gaita, e riffs empolgantes, totalmente influenciados
por Ritchie Blackmore, ex-Deep Purple.
E olha que a música mais famosa deles, "Killing in the Name" nem é a
mais legal. É só escutar "Bullet in Your Head", "Wake Up" e,
principalmente "Know Your Enemy" para confirmar as minhas palavras.
Infelizmente um casamento desses não poderia durar muito tempo, pois
são muitas influências (Zake de La Rocha com o Rap e Morello com o
Hard Rock setentista) e muitos interesses panfletários.
Vai ver que foi por isso que funcionou tão bem enquanto eles estiveram
juntos.
Escute e fique com o mesmo zumbido. Aposto que você vai gostar.


Essa listinha pode ser aumentada, de acordo com a época da minha vida,
com meu humor e tal, mas acredito que esses 5 discos sempre vão estar
em um local destacado de minha coleção.

Quais foram os discos que salvaram as suas vidas?



 Escrito por às 16h18
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OS PIORES DISCOS DA COLEÇÃO (Ou a história do cara que em um momento
de fraqueza mental, ou total imbecilidade mesmo, adquiriu discos que
merecem apenas apodrecer nas profundezas da estante)


Vocês já se arrependeram de ter comprado um disco? Mas não aquele
sentimento meio esquisito depois de ter achado que uma banda era uma
coisa, e na verdade ela não merecia tamanha atenção. O sentimento que
eu falo é de vergonha mesmo...por ter sido enganado, por ter sido
burro, ou mesmo por ter acreditado no hype de alguma banda e ter se
sentido intelectualmente lesado...
Bem, esse blog, no limite de sua auto-indulgência, coloca a cara a
tapa e revela quais são os esqueletos do seu armário:



311 - FROM CHAOS

O que dizer de uma banda que é pior do que as bandas que ela mesmo
serve de referência??? Eles são o 311, um Incubus muito, mas muuuito
piorado.
Após ganhar de natal um livro que não me interessava nem um pouco,
fui trocá-lo, já com o desejo incontrolável de colocar no pacote um
cd (obviamente). Não encontrei nada, e para não sair de mãos vazias
encarei esse disco que atira para todos os lados, como uma
metralhadora giratória, matando o ouvinte de tédio e de desespero.
Nu-Metal, Ska, power-pop, baladas...não poderia dar certo mesmo. Desde
o início a la Limp-Bizkit (You Get Worked), um Powerman 5000 fake
(You Wouldn't Believe) e um sub-Incubus em I Told Myself, com vocais
parecidos com os boiolaS do Linkin Park. Uma merda.
E olha que eu gosto de Incubus e Powerman 5000.



LIT - ATOMIC

Hoje é muito fácil montar uma banda. Basta colocar um monte de
tatuagens, cabelos oxigenados espetados e um vocalista com...errr.
Atitude...
E, de preferência, tocar Emocore, uma das coisas mais horrendas que
já foram concebidas na história da música.
Essa é a receita do Lit, que apareceu na minha vida em um momento de
vazio existencial, escutando a rádio Uol. Achei a música que estava
tocando legalzinha e nem pensei, mandei vir pelo submarino.
Nem preciso dizer que são parecidos com essas bandas de débeis-mentais
que assolam um País de imbecis como os Eua, como o Blink 182 e outros
menos cotados.
Chega, nem consegui terminar a primeira música.



KID ROCK - DEVIL WITHOUT A CAUSE

Essa figura ganhou meu respeito apenas por estar carcando a Pamela
Anderson.
Eu estava em Los Angeles, perdido no meio da Tower Records , talvez
triste de saudades da namorada, do País querido,
quando um surto de mongolismo me acometeu, e comprei esse disco junto
com o do Foo Fighters. Dave Grohl, me perdoe.
Com a pose de rockstar fodão, metido a rapper branco, misturando as
batidas com riffs de guitarra, suas letras que falam de sexo, brigas e
confusões mostram que o (baixo) nível musical não é exclusividade do
Brasil.
Também, com músicas chamadas "Black Chick, White Guy", "Fist of Rage"
e "Where U at Rock" envergonham o poderoso nome do ROCK.
Tira esse nome daí rapá!!!



JOTA QUEST - DE VOLTA AO PLANETA

Pensaram que eu iria esquecer deles?
Bem, depois de uma grande estréia (dou minha mão à palmatória), eles
meteram os pés pelas mãos, e, ao invés de continuarem com a linha
soul-funk, tão bem sucedida no primeiro disco, preferiram virar a
bandinha preferida das empregadinhas e se transformaram em um grupo
de baladas insossas (Fácil), rockinhos rasteiros (Qualquer Dia Desses),
e necrofilias musicais (Tão Bem).
E olha que a primeira música é até legalzinha (De Volta ao Planeta),
mas a sensação que fica é que um grupo promissor acabou fazendo música
de e para primatas.


E vocês? Algum disco que pode envergonhá-los??
Postem!!!

 Escrito por às 21h19
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