EDIÇÕES ESPECIAIS
Alguns consideram uma maneira de sermos coagidos a liberarmos (opa!) nosso suado dinheiro em busca de um momento efêmero de prazer, proporcionado pela audição de versões remasterizadas, extendidas, acrescidas de outtakes de nossos discos favoritos.
Eu prefiro encarar isso como uma experiência única. Quase transcendental.
THE VELVET UNDERGROUND & NICO DELUXE EDITION
THE VELVET UNDERGROUND FULLY LOADED EDITION

Sempre tive verdadeiro pavor de falar algo sobre o Velvet Underground. Encarava como uma missão terrível, quase impossível, coisa de profissionais mesmo, o que tornava esse post ainda mais difícil. Tentar falar de discos fundamentais da história do rock sem parecer ridículo ou desinformado. Acabei fazendo uma pequena pesquisa na história da banda, em minhas edições antigas da finada revista Bizz, e me deparei com um tesouro que, na época, passou completamente desapercebido por mim.
O Velvet surgiu em Nova York, lá pelos idos dos anos 60, e logo chamou a atenção do pai da pop-art Andy Warhol, que além de apadrinhar a banda, acabou por produzir seu primeiro disco, o da banana. Talvez uma das capas de disco mais conhecidas da história da música. De quebra carregou junto a modelo Nico, que com sua voz deliciosamente desafinada, ajudou a criar um dos discos mais influentes de todos os tempos, que pavimentou talvez toda a estrutura de bandas, que hoje em dia soam tão díspares uma das outras,como os Strokes, Comboy Junkies e o Radiohead.
Escutar Velvet & Nico foi, para mim, uma experiência tão intensa que serviu para, de uma vez por todas, acabar com o possível preconceito que eu poderia ter com eles. Seja pelo fato de fazerem músicas "difíceis", low-fi, conceituais, whatever. Desde o início arrebatador, com a candura de "Sunday Morning", ou com a levada hipnótica da ambígua "I'm Wait for the Man", Lou Reed tinha a grande capacidade de falar em suas letras sobre temas pesados, como fica claríssimo em "Heroin", uma declaração de amor à Heroína. Debaixo de belas melodias, versos atormentados tinham como moldura a cidade de Nova York, com seus habitantes esquisitos, traficantes, prostitutas e tal. Isso ficaria claro mais para a frente, com seu maravilhoso trabalho solo "Transformer".
A verdade é que nada disso seria possível sem John Cale, o gênio por trás do piano, do violino elétrico e da guitarra base. Fica claro que atrás do blues de "Run Run Run", da incrivelmente pop "There She Goes Again" e de todas as faixas, um disco indispensável, que não encontrou o devido sucesso comercial na época, foi lançado, gerando milhares de bandas que, para o bem ou para o mal, se dizem influenciadas por este disco.
Na versão De Luxe que eu comprei ainda constam algumas músicas do disco solo de Nico, "Chelsea Girls", aonde sua desafinação fica mais evidente, mas, de um certo modo, acaba funcionando. As mesmas músicas fazem parte do disco 2, mas em versão mono, junto com os singles de "All Tomorrow Parties", "I'll Be Your Mirror", "Sunday Morning" e "Femme Fatale".
Já o disco Loaded é considerado o pior disco do Velvet. Que coisa. Um disco que conta com as sensacionais "Sweet Jane" (alt-country??), Rock & Roll (o início do glam??) ou "Head Held High" (minimalismo punk-eletrônico??) não pode, nem de longe, ser considerado ruim. Já sem John Cale, depois da briga de egos com Lou Reed, ele aparece apenas nos teclados da belíssima "Ocean", do disco 2, de uma lisergia que nos lembra dos Beatles da fase psicodélica. Versões extendidas e demos fazem a festa de qualquer fã no disco 2, com versões demo de "Satellite of Love", "Walk and Talk" e "Sad Song".
É por essas e por outras que hoje acredito na influência dessa banda no rock mundial. Hoje consigo entender a tão falada genialidade de Lou Reed e John Cale. Para quem tinha um preconceito danado quando era mais novo, posso dizer que me arrependo de não ter "descoberto" esses discos antes, que soam tão atuais quanto qualquer lançamento dito "hype" hoje em dia.
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Conversa com a vendedora no dia em que comprei esses cds (240,00 reais os dois...ai...). Jovenzinha, com uns dreadlocks no cabelo, fã de Strokes e Television. Vi que ela entendia de música e arrisquei:
- Viu só como essa música do Strokes parece com uma do Titãs? - Ai, não fala isso não... - Pera aí, eu detesto Titãs - tentei me defender - é que elas ficaram muito parecidas no refrão - É...eles disseram que uma das influências era o Television - ela disse - Quem, o Titãs?? - Me assustei - É... - ... - Vai ver que é por isso - Ela retornou. - Sabe, Television é uma das minhas bandas favoritas, assim como o Rage Against the Machine, o Black Crowes e o Deep Purple - tentei - Ah...o meu Pai é quem gosta de Deep Purple... - Quanto eu devo mesmo????
Cai o pano. Rápido.
Escrito por às 01h21
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