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PÉROLAS PERDIDAS
Se você é uma pessoa que ama música, então não pode chegar em nenhuma cidade sem querer saber aonde está a loja do discos mais próxima, certo? Com certeza muitas histórias podem ser contadas sobre aquela vez que, sem nenhuma pretensão, um bom disco foi encontrado, debaixo de muita poeira. Esses dois discos são a maior prova de que a exploração rende bons frutos.
LLOYD COLE AND THE COMMOTIONS - Rattlesnakes
EMF - Schubert Dip

A questão é: Nunca desistir. Vai que um dia, naquela mesma loja que o vendedor já sabe o seu RG de cabeça (em tempos de internet confesso que isso está cada vez mais difícil...), um bom disco é descoberto! Pelo menos para mim isso é motivo de comemoração.
Na mesma loja, em momentos diferentes comprei esses dois discos, em edição importada, mas com preço de nacionais. Uma pechincha.
Lloyd Cole fez um certo sucesso nos anos 80, e, se bem me lembro, na época esse disco foi bem falado pelas revistas especializadas em música, mas não me chamou muito a atenção. Um erro, pq hoje vejo que estava perdendo uma pérola pop, daqueles discos de te deixarem com um sorriso no rosto e mudarem seu humor na mesma hora. Música tem dessas coisas. O disco bebe diretamente naquela geração que deixou a new-wave para trás, se esmerando em melodias com guitarras dedilhadas juntamente com um rebuscado trabalho de cordas, pianos e gaitas. Apesar do som meio pasteurizado da bateria, coisa bem normal nos 80's, as ótimas composições de Lloyd Cole se sobressaem, com um vocal que lembra em certos momentos uma mistura de Tom Verlaine (Television) com a parte discursiva de Lou Reed. A mixagem do grande Ric Ocasek (The Cars) acentua bem a melodia das guitarras com os violões, deixando em segundo plano o piano, como no caso de "Perfect Skin" e da maravilhosa "Charlotte Street". Algumas músicas chegam a lembrar um country, como em "Four Flights Up" ou um blues, no caso de "Speedboat" e fica bem evidente também a influência de bandas como o Echo & the Bunnymen, principalmente em "Rattlesnakes" e "Patience", que traduzem o perfeito encaixe de poesia com música. Um excelente disco pop, inspirado, e que pode perfeitamente melhorar o seu dia, assim como mudou o meu. Para quem gosta de: Aztec Camera e dos anos 80
Enquanto isso, com o EMF (que eu nunca consegui descobrir o que significava), a idéia era simplesmente diversão descompromissada. E que diversão!! Eles já contavam na época com um dj para deixar o som mais moderno, que misturava um funk-guitarreiro (Children), com toques de Tecnopop (Long Summer Days). A boa produção conseguiu mesclar o lado eletrônico da banda com o mais orgânico, transformando o disco em um provável precursor de bandas como um Smash Mouth e Sugar Ray. Não dá para imaginar ninguém parado na pista com músicas deliciosamente dançantes como "When You're Mine" e "I Believe". Os teclados chegam a lembrar um pouco o clássico Pet Shop Boys, e antes que alguém venha me crucificar aqui, eu reconheço que gosto bastante da banda. Toda essa falação para terminar em uma das mais perfeitas canções pop-dançantes da década, a espetacular "Unbelievable", uma sacanagem com as garotas que só querem saber de "discutir a relação". Difícil não ficar com essa canção na cabeça. Uma pena que eles foram escolhidos para tocar em um festival no Brasil (nem lembro mais qual) quando só tinham essa canção conhecida. Aqui nós podemos ser uma platéia bem esquisita. Para quem gosta de: Duran Duran e ficar de olho na barriguinha de fora daquela garota...
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Fã é um bicho engraçado. A sua banda/artista favoritos podem lançar uma porcaria de um disco que nunca daremos o braço a torcer, pois os tais estão "acima do bem e do mal". Talvez seja uma das escolhas mais polêmicas por aqui, já que os ilustres frequentadores do blog não conseguem chegar a uma conclusão quanto a história dos artistas intocáveis. Mas quer saber? Fã não tá nem aí. Para o fã eles estão em um outro patamar, e ai de quem resolver discordar. A minha lista: - The Smiths - Legião Urbana - Black Crowes - U2 E aqui vai uma explicação: Estou me aprofundando em alguns artistas que provavelmente estarão nessa coluna, mas, para eu ser bem justo, preciso conhecê-los mais, como é o caso de Neil Young, David Bowie, Lou Reed e Bruce Springsteen.De qualquer modo, todos eles são fantásticos. E vocês?
Escrito por às 21h55
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THE POLICE - MESSAGE IN A BLOG
Não adianta ficar tentando falar da importância do The Police na história do rock, ou falar de toda a carreira, das brigas, curiosidades, enfim. Eu gastaria a noite inteira digitando e ninguém iria ler, pois o post ficaria muito grande. Gostaria que vocês soubessem da importância que o Police e suas músicas tiveram sobre a minha vida.
MESSAGE IN A BOX - The Complete Recordings - THE POLICE

O ano deveria ser mais ou menos 1982, e todo ano os lançamento de discos patrocinados por fábricas de cigarro eram lançados. Os famigerados "Disco 78", "Disco 79" e por aí vai. Não me lembro muito bem, mas provavelmente no tal "Disco 82", ao lado de bandas menos cotadas como Toto (Africa...) e Asia (Only Time Will Tell...) o The Police surgia na minha vida com a música "Every Little Thing She Does is Magic", uma perfeita canção pop que até hoje faz arrepiar os pelos do meu braço com aquele início aonde um violoncelo se funde com a guitarra de Andy Summers, seguindo as batidas precisas de Stewart Copeland na bateria. Não era rock, não era ska, não era pop, não era reggae. E era tudo isso ao mesmo tempo. Deu para entender?
Acredito que definir o som do The Police como uma banda de punk, que descobriu o reggae, o ska e o dancehall, refinou as influências, jogou tudo em um liquidificador pop chegaria perto do que podemos chamar de rótulo, por mais limitador que isso seja.
Essa espetacular caixa traz simplesmente todas as gravações feitas pela banda, incluindo aí raridades, lados b nunca lançados e algumas versões ao vivo.
Desde o início meio punk, cru, que hoje chamaríamos de power-pop, eles conseguiram imprimir sua cara, como uma banda diferenciada, que não se prenderia a modismos ou às algemas do estúdio. Nasce "Outlandos D'Amour", aonde o passado rocker ficava evidente em músicas como "Next to You" ou "Truth Hits Everybody". Mas o que iria acompanhar a banda até o final de sua carreira seria o estilo de música aonde um início "reggae" preparava a música para um refrão pegajoso e sempre inesquecível, com pitadas de rock. É o caso de "So Lonely" (que acabou virando "Solange" na divertida versão Brazuca de Léo Jaime), "Can't Stand Losing You" e do grande hit "Roxanne".
O primeiro disco deles que eu comprei foi o segundo lançado, "Reggatta De Blanc", que ajudava a reforçar a história de uma banda de reggae tocada por brancos. Uma das letras mais belas da história da música está aqui com "Message in a Bottle", a triste aventura de um náufrago e sua tentativa de fugir da ilha. Com essa música eu resolvi aprender a tocar bateria. A vida dos meus Pais nunca mais seria a mesma.
Comprei de uma tacada só todos os outros discos da banda, "Zenyatta Mondatta" e "Ghost in the Machine". Uma verdadeira usina de hits, com músicas que praticamente toda a população mundial já deve ter cantado uma vez na vida. A linda bobagem de "De Do Do Do De Da Da Da", Sting citando Nabokov em "Don't Stand So Close to Me", a politizada "Spirits in the Material World". Ninguém me tira da cabeça que a música "Soldados" da Legião Urbana não teve sua estrutura chupada de "Invisible Sun". Enfim, eles eram a própria matriz musical, despejando idéias, conceitos e novos ritmos, com Stewart Copeland e seus octobans mudando a vida de meio mundo de bateristas. p Bizkit - Smash Maouth - Sugar Ray - Filter - Maxwell
Mais uma vez, no máximo 5, no mínimo 3...postem!!
Escrito por às 20h49
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