MICK RONSON - ILUSTRE DESCONHECIDO OU A ARMA SECRETA?
Eu nunca tinha ouvido falar de Mick Ronson. E eu não considero isso um grave problema, pq muitas pessoas que até gostam e conhecem rock sequer sabiam da existência dele. Eu poderia falar do sensacional álbum Transformer, de Lou Reed do jeito convencional. Prefiro falar pela ótica de Mick Ronson, a arma secreta.
LOU REED - Transformer
MICK RONSON - Play Don't Worry

A história já deixou um lugar reservado para a seminal banda Velvet Underground, merecedora de todos os adjetivos, inversamente proporcionais às suas vendagens. Após o término da banda Lou Reed, meio que sem saber o que fazer se junta a David Bowie, grande responsável pela guinada de Reed (falam que Bowie tentou dar a mesma ajuda a Iggy Pop, mas...), que vinha de seu primeiro trabalho solo, com críticas meio mornas.
Ele traz na bagagem Mick Ronson, um grande músico, arranjador e produtor, talvez o principal responsável pela sonoridade meio glam do disco Transformer. Desde o início, com a empolgante "Vicious", podemos perceber toda o andamento da música ser invadido pela guitarra estridente de Ronson, criando uma perfeita combinação de melodia e barulho. Mas a influência dele não é percebida somente nas guitarras, já que, além de ter sido co-produtor do disco, ele tocou piano e fez os arranjos do baixo. É mole? É só escutar a bela melodia de "Perfect Day", aonde cordas, piano criam uma sequência emocionante, contrastando com a aparência sempre carrancuda de Lou Reed. Aliás é em "Perfect Day" e na seguinte "Hangin''Round" que a mão de Ronson é fundamental. No disco as versões demo dessas músicas dão uma idéia de como o produtor é fundamental, tornando sublime o que era apenas tosco, mas brilhante.
O grande sucesso do disco acabou sendo a música "Walk on the Wild Side", um retrato das avenidas de West Village nos Eua, com suas prostitutas, traficantes e drag-queens sendo "homenageados" na música. No precioso encarte da versão remasterizada uma interessante história, de como os Americanos possuem um antigo histórico de repressão e imbecilidade. "Walk on the Wild Side" foi modificada por conter a expressão "Give a head" (darow".
Até o famoso rock de três acordes punk foi lembrado, de uma maneira um pouco diferente, com batidas quebradas e vocalista que efetivamente sabe cantar, no rockão "Out of Routine", que prepara a festa para as tintas Pós-Punk de "Century After Century".
A verdade é que, mesmo atirando em várias direções, a banda traz um vigor novo ao combalido Brit-Rock, aí incluindo todas as bandas que a NME mostra como as melhores-da-última-semana, nos fazendo acreditar que uma veia poética ainda pulsa nas melhores bandas de rock, se preocupan um boquete), e como na Inglaterra eles não utilizavam essa frase, a música foi liberada do jeito original.
Não vale a pena ficar avaliando o contexto gay do disco, principalmente na música "Make Up", pois a idéia aqui é reverenciar Mick Ronson. Lou Reed não precisa, já que ele é reconhecidamente um gênio da guitarra.
Um disco essencial tanto para saber como foi uma das bases fundamentais do glam rock, como para conhecer um pouco mais de Mick Ronson, um dos grandes responsáveis pelo sucesso do disco.
Isso foi em 1972. Já em 1974 ele lançou seu disco solo "Play Don't Worry", aonde de cara na música "Billy Porter" percebemos o grande parentesco com a palhetada de "Vicious". Inconfundível. Sem falar em versões para o clásssico "White Light/White Heat", do Velvet Underground. O som é basicamente um hard-rock setentista (Angel nº9, Play Don't Worry - Tom Morello deve ter escutado muito essa música...), baladas a la Todd Rundgren (This is For You, Hazy Days) e que conta com participações especiais, como o chapa Ian Hunter, vocalista da banda Mott the Hoople, outra banda que teve a preciosa ajuda de Ronson no seu clássico "All the Young Dudes".
O disco (remasterizado) ainda vem com nove (!!) bonus tracks, que vão desde músicas nunca lançadas até uma alucinada jam, na música "28 Days Jam", e vale todo real investido nele, apesar da capa, uma das mais feias da história da música.
Uma pechincha esse disco, esquecido no fundo da loja, mas que acabou se tornando um dos cds de altíssima rotação nesse blog. De desconhecido para a alma de vários clássicos do rock.
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Eu acordo muito cedo para ir malhar. Às 05:00 hs da manhã já estou de pé para ir puxar ferro. Como vcs podem perceber, o meu humor na academia não é dos melhores quando eu chego. E ainda sou obrigado a participar de uma conversa dessas: - E aí, vai no BMF?? (Brasilia Music Festival) - o cara me perguntou - Eu não...só banda ruim. Só iria pelos Pretenders, mas não vou não... - Pô...eu vou assistir o Simpôu Red cara!! - Simply Red - Corrigi - Você gosta também do Simpôu Red?? - Ele insistiu - De jeito nenhum. Detesto SIMPLY RED...Eu sou roqueiro doidão, cara... - Eu também gosto de rock, véi - Ele babou - Mesmo? O que vc gosta de escutar?? - Me animei - Creed é maneiro véi, Linkin Park também!!! Pena que eles não vão vir, mas o Simpôu Red vai ser massa... - ...
Escrito por às 21h56
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