VITROLA VIRTUAL


Mais uma da série...

PÉROLAS PERDIDAS - SOLO PROJECTS

Sabe aqueles discos que saem no Brasil e ninguém fica sabendo? E que
depois de ler sobre eles em algum blog metido à besta vc fica
curioso (a) e resolve baixar algumas músicas para experimentar?
E gosta?
E não encontra mais o disco pq está fora de catálogo???

Acho que não é o caso desses dois aqui mas...
É bom não bobear.

IAN ASTBURY - Spirit\Light\Speed

SCOTT WEILAND - 12 Bar Blues




Já foi comentado aqui no blog sobre a razão pela qual muitos cantores
resolvem lançar um disco solo à parte de sua obra com a banda, que
acaba resultando em um disco completamente diferente do que ele
costuma compor com a banda.

Ou não.

De qualquer forma nesses dois casos os vocalistas resolveram chutar
o pau da barraca e radicalizaram nas experiências.

Ian Astbury e Scott Weiland fazem (no caso de Weiland, fazia...) parte
de duas bandas que surgiram em épocas distintas, com propostas
completamente diferentes, mas se igualavam em um ponto.
Enquanto que a banda de Astbury, o excelente The Cult, iniciou a
carreira como uma banda pós-punk, que depois enveredou para o lado do
hard-rock, com algumas pitadas setentistas, o espetacular Stone Temple
Pilots
, ex-banda de Weiland iniciou a careira como uma banda grunge,
no rastro dos filhotes de Seattle, mas que depois conseguiu imprimir
uma identidade própria, com influências descaradamente pop ao seu som.

Pois bem, aonde está a semelhança?

São duas bandas que, em todos os discos, abdicaram quase que totalmente
da eletrônica, tão em voga atualmente, quase que um "carimbo" para a
banda se tornar moderninha.
Puxando aqui da minha cabeça não consigo lembrar de nenhuma música das
duas bandas que tenha alguma dessas influências.

Mas o que interessa aqui são os trabalhos solo.

Não é que os dois radicalizaram na experimentação eletrônica, e
fizeram dois discos em que loops, bateria eletrônica, guitarras
atoladas de efeitos e vozes sintetizadas dão as caras em praticamente
todas as músicas?
Ian Astbury chamou Chris Goss, mais conhecido como sendo o integrante
eventual do Queens of the Stone Age, e co-produziu com ele uma
saraivada de canções com bases rítmicas essencialmente eletrônicas,
assustando (para o bem) o ouvinte mais desavisado. "Back on Earth", não
fosse a inconfundível voz de Astbury, poderia perfeitamente estar em
um disco do Crystal Method, enquanto que "Devils Mouth" e "Tonight"não
fariam feio em uma tenda "Chill Out" nas festinhas rave. Mas o filé
mesmo vem mais tarde, com a hipnótica "The Witch", que até apareceu imalismo stoner de "It's Over" acaba de vez com as dúvidas sobre
o papel de Chris Goss no disco. Pesada, empolgante, é a música mais
"roqueira" do disco, com pedais wah-wah dando o tom do refrão,
remetendo à fase mais lisérgica do Cult, no disco "Love".

É um disco perfeito para uma festa moderninha, aonde seu espírito
rock'n roll não vai se sentir em nenhum momento ofendido por ter que
dividir o espaço com "clubbers"...

No caso de Weiland, ele praticamente realizou uma tour-de-force,
tocando vários instrumentos em várias músicas.
Agora sim ficamos sabendo de onde veio toda a influência pop do Stone
Temple Pilots, com faixas que beiram a esquizofrenia, como a esquisita
"Desperation # 5", aonde Weiland praticamente susurra a letra sobre
uma beatbox, até que quilos de efeito na guitarra transformam a
música em uma estranha mistura de Chic com Nine Inch Nails. Sei lá.

Um adendo: Scott Weiland é, provavelmente, um dos caras mais junkies
que já pisaram na face da terra. Com dezenas de casos de prisões,
bebedeiras, drogas ilícitas e tudo o que um rockstar tem direito. Nem
por isso ele deixou de ter uma das vozes mais instigantes do rock
praticado depois dos anos 90. Ele consegue aplicar o mais puro falsete
em baladas, como colocar um vocal poderoso em faixas poderosas de
rock.
Aliás, o Stone Temple Pilotsé uma das bandas mais subestimadas que eu
conheço. Ela vai merecer, em um futuro próximo, uma homenagem, como uma
das melhores bandas de rock dos anos 90.

Fecha o adendo.

Ele acaba mostrando versatilidade em faixas que mostram um lado até
"lírico-esquisito" (Barbarella), "acústico-freak" (Where's the Man), e
um lado crooner, com as belas baladas "Divider" e "Son", perfeitas
para uma churrascaria. Quem diria, isso foi um elogio.
Ele chega, inclusive, a flertar com o rock industrial, claro que da
maneira de Scott Weiland, com "Cool Kiss" e "Jimmy Was a Stimulator",
aonde suas experimentações chegam ao limite do absurdo, com frases
como "Jimmy was a master trainer, he could masturbate a fitness
trainer...". Bem próprio dele.
O resultado final, apesar de irregular, mostra uma mente capaz de
arriscar, mesmo que, para isso, ele tenha que criar um disco difícil
na primeira audição, mas que cresce na medida em que entendemos a
mente meio perturbada de Weiland, um junkie gente-fina.

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Indo para o trabalho, resolvo não colocar nenhum cd no carro. A única
rádio que eu consigo escutar é a Antena 1, perfeita para iniciar o
dia, com músicas calmas. De vez em quando toca até um clássico do
Stevie Wonder ou Marvin Gaye. Mas Celine Dion e Mariah Carey tb
aparecem.
É o preço pago por escutar rádio...

Começa a tocar uma versão meio jazz de..."More Than This", do Roxy
Music
. Acho que é Norah Jones, não sei...a voz é parecida.
Bem, quiseram fazer o que já era ultracool, ainda mais cool.
Ficou um cu.

 Escrito por às 23h01
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ROCK ON THE HIGHLANDS Pt.01

Primeira parte de uma visão sobre alguns grupos da Escócia, guardiães
de um rock melódico e poderoso ao mesmo tempo, aonde letras
sentimentais fluem como poesia acima de poderosas camadas do mais
puro rock'n roll.



Four Thousand Seven Hundred and Sixty-Six Seconds
A Short Cut to TEENAGE FANCLUB


"Hey, Did i say
that i smiled
when i first heard your name..."


Uma das bandas mais adoradas pela comunidade indie do Brasil, o
Teenage Fanclub parece que finalmente vai saciar a vontade desses
milhares de fãs, pois eles estão quase 100% confirmados no Curitiba
Pop Festival.
A escalação final sai amanhã, portanto torçam.

Nada melhor do que uma gigantesca coletânea de músicas que podem
tocar o seu coração, como essa frase do início do post.
Escolhidas a dedo por seus integrantes ela cobre toda a carreira da
banda, e ainda traz de brinde três músicas novas, entre elas a
maravilhosa "Did I Say", a mais perfeita música pop do ano até agora.
Não perca tempo e baixe essa música para conferir o que eu estou
falando.

Uma guitar-band por excelência, ao mesmo tempo doce e otimista.
Essa pode ser a definição do Teenage Fanclub, que com suas músicas
de uma perfeição pop pouquíssimas vezes alcançada, é capaz de
transformar o humor do mais carrancudo dos homens. Duvida? Coloque
a balada "Ain't That Enough" e veja se isso não é possível. A intenção
é animar uma balada? Então a power-pop "Mellow Doubt" dá conta do
recado perfeitamente, com suas guitarras no talo.
Melhor ainda, aquela sua amiguinha indie que vc está de olho finalmente
aceitou sair com vc? Experimente colocar no carro "I Need Direction" e
veja se ela não vai cair direitinho na cilada.

A verdade é que todas as músicas do disco são muito boas, ficando muito
difícil escolher algum destaque, além dessas já citadas, afinal são
21 músicas que podem perfeitamente ser a trilha sonora de suas vidas.
Uma banda que dispensa rótulos, muito restritivos, e que não vão
fazer justiça à qualidade de suas canções.
Os clássicos "Grand Prix", "Bandwagonesque" e "Songs From Northern
Britain" são a base dessa coletânea, mais ou menos o set list que a
banda costuma tocar em seus shows.

Quer uma dica? Tá solteiro (a).
Pegue o(a) pretendente, leve para um jantarzinho e deixe a poesia da
banda fazer o resto.

"Hey, Did I Say,
I Don't mind, if you want to go home
take me there, no you don't
have to travel alone..."


Curitiba nunca foi tão longe de Brasília...

GOSTOU? ESCUTE: The Reindeer Section (São da Escócia...que dúvida...)




The Remote Part - IDLEWILD

Vocês conhecem essa banda e não sabem. Pelo menos quem jogou o Fifa
2003, aonde a música "You Have The World in Your Arms" fazia parte da
trilha do jogo.

Diferentemente do Teenage, o Idlewild já coloca as guitarras em primeiro
plano, sem esquecer da melodia nos vocais, mas sem o mesmo, digamos,
açúcar, o que não quer dizer que a famosa sensibilidade (uia!!) dos
Escoceses não esteja presente.
Desde o início com os muros de guitarra de "A Modern Way of Letting
Go" e a já citada "You Have the World..." mostram uma banda coesa,
que, coloca o vocal, normalmente dobrado, em segundo plano, como um
complemento da grande parede guitarreira.

Como um pequeno alívio, a bela balada "American English", com sua
mistura de cordas, violões, e um refrão marcante nos remetem aos
Smiths, de Meat is Murder, afinal lá no fundo o riff se parece muito
com o de "How Soon is Now".

Até o famoso rock de três acordes punk foi lembrado, de uma maneira
um pouco diferente, com batidas quebradas e vocalista que efetivamente
sabe cantar, no rockão "Out of Routine", que prepara a festa para as
tintas Pós-Punk de "Century After Century".

A verdade é que, mesmo atirando em várias direções, a banda traz um
vigor novo ao combalido Brit-Rock, aí incluindo todas as bandas que
a NME mostra como as melhores-da-última-semana, nos fazendo acreditar
que uma veia poética ainda pulsa nas melhores bandas de rock, se
preocupando com estética vocal, instrumental empolgante e letras
bonitas, sem serem piegas.

GOSTOU? ESCUTE: The Smiths, fase "The Queen is Dead" - Essa eu roubei
mesmo da crítica do Rodrigo Salem, mas realmente é o disco que vem
à cabeça.


Não sei, mas talvez o incrível visual da Escócia sirva de inspiração
poética para essas bandas que, diferentemente das Inglesas, não
possuem nada de pretensão. Por isso são tão legais.
Pq não descobri-las?

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

Como levar a sério um crítico que fala mal do White Stripes e elogia
os Detonautas?????


 Escrito por às 21h46
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