 |
QUASE FAMOSOS
Uma das bandas mais queridas desse blog sempre foi o Black Crowes, que acabaram por encerrar as atividades ano passado, depois de muitos boatos. Pra falar a verdade eu ainda não me convenci muito disso. Ainda acho que eles estão mesmo é dando um tempo para voltarem mais tarde.
Só o tempo nos dirá.
Por isso resolvi falar sobre os dois discos que eu mais gosto da banda, com a certeza de que quem diz que gosta de rock não tiver, pelo menos, esses dois discos, me desculpe. Sua coleção não vale nada.
The Southern Harmony and Musical Companion
Amorica

Prepare-se. Esses são os Black Crowes.
Em um tempo aonde rockstars são mais conhecidos por suas atitudes fora de seu habitat natural (leia-se palco e estúdio de gravações), o que mais me admira nos Black Crowes são sua incrível capacidade de não receberem o devido respeito por parte do público, já que toda a crítica baba no som deles, uma mistura de Rolling Stones, Faces, Gospel e muita maconha.
Na verdade toda a discografia deles é de uma unidade incrível, com todos os discos calcados em cima do que realmente importa em uma banda de rock. Um excelente guitarrista e um vocalista carismático, não por acaso irmãos. Rich Robinson (o menos falado) e Chris Robinson (aquele casado com a Kate Hudson...).
Southern Harmony é o segundo disco deles, que marca definitivamente a importância das raízes sulistas no seu som, com influências gospel (ainda mais marcante no disco "By Your Side") das cantoras evangélicas da região. De cara dá para perceber um pezinho tanto no rock dos Stones (Sting Me) quanto o blues (Bad Luck Blue Eyes Goodbye e Sometime Salvation) , que vai acompanhá-los até o final da carreira. A empolgação da banda nos faz sermos transportados diretamente para o final dos anos 60, início dos 70, época que parece ter sido feita especialmente para a banda (Hotel Illness) , tanto que pessoas que desprezam o estilo de vida flower-power-hippie da época (eu incluído), não conseguem conter o júbilo diante de um som tão visceral e simples ao mesmo tempo. É só pegar o visual da banda Stillwater do filme "Quase Famosos" , e transportá-los para a vida real. Cheiro de marijuana, turnês feitas em ônibus, a Kate Hudson e as famosas groupies. Tudo está lá nos shows deles, que foram os responsáveis por um dos melhores discos ao vivo de todos os tempos, o "Live at the Greek" , com o mítico Jimmy Page, da não menos mítica banda Led Zeppelin. É pouco?
Não, pq se algum de vocês ainda não conhece a banda, ouça esse disco iniciando pela música 2, "Remedy" . Uma perfeita combinação de groove, riffs e gospel, em uma das músicas mais legais da banda. "Can i have some remedy?". Obrigatória.
E, se não bastasse toda a qualidade desse disco eles chegam em seguida com um disco mais introspectivo, junto com a grande polêmica da capa, uma foto de um biquíni com motivos da bandeira americana, em uma genitália feminina, aonde alguns cabelos pubianos (pentelhos mesmo pô...) aparecem de propósito. Nem precisa dizer que o disco foi o mais vendido da carreira da banda apenas pq os EUA são um país de débeis-mentais que foram atrás do disco mais pela polêmica do que pelo som propriamente dito.
Uma pena.
Tudo está lá, o blues (HighHead Blues e Downtown Money Waster), influências Folk-Rock (Nonfiction) ,os Stones (P. 25 London) , até com um espaço para o lirismo, com a bela "Descending". Se não der para se emocionar, provavelmente vc já morreu e não sabe. Mas o disco já valeria a pena apenas por causa de uma única música, "Wiser Time", provavelmente uma das músicas mais bonitas de todos os tempos. Poucas bandas conseguem expressar a perfeição em uma única música, e "Wiser Time" é a prova de que, se existe uma música inesquecível, ela é a própria encarnação de tudo de bom que existe no rock. Pra falar a verdade, quando eu morrer, se quiserem se lembrar de mim com alguma música, não se esqueçam de "Wiser Time". Vão me fazer muito feliz.
Claro que a discografia da banda conta com mais discos, mas para os iniciados esses dois são indispensáveis, não só por terem os dois maiores clássicos da banda como por misturarem perfeitamente a "ingenuidade" dos anos 60 e 70 com o apuro técnico dos 90. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Gostei dessa história de Top Five. E do Black Crowes? Alguém se arrisca? Aqui vai o meu:
- Wiser Time (óbvio) - Remedy - Miracle to Me - Kickin' My Heart Around - Descending
Escrito por às 16h26
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
YOU TOO MAN?
Eu devo ser provavelmente uma das únicas pessoas no mundo que gosta de todos os discos do U2 por igual. Cada um com suas características, cada um com sua história e, antes de tudo, cada um com sua mensagem.
U2 - Zooropa
U2 - Pop

No início da carreira o U2 se caracterizou por suas convicções sociais, aliadas a um forte discurso político e panfletário, sem nunca se tornar uma banda pretensiosa, presa aos seus ideais. A idéia, na verdade era a dominação mundial.
Antes de mais nada devo confessar que acho o U2 uma das melhores bandas de rock de todos os tempos.
Pronto.
Após a ruptura necessária no espetacular disco "Achtung Baby" , aonde um inimaginável flerte com a eletrônica assombrou o mundo, o U2, em um processo auto-irônico, resolve, de uma vez por todas quebrar todas as barreiras que sua própria carreira havia lhe imposto. A fase Européia tinha começado, e eles lançam o disco "Zooropa" , uma inesquecível experiência, maior e mais megalomaníaca até do que o substimado disco "Pop" , massacrado como uma tentativa de modernização do som do U2. Coisa que já havia começado em "Achtung Baby" , e atingido o seu ponto máximo em "Zooropa" , e não no disco "Pop", um disco muito mais "U2" , digamos do que o anterior. Esse sim um disco corajoso e sensual.
A começar pelo produtor, Brian Eno, um dos fundadores do Roxy Music, um dos pilares da necessidade de uma concepção visual mais apurada. "Não acredite no que você vê" - Dizia uma das várias frases que piscavam nos televisores do palco da turnê "Zoo TV" , uma das mais caras produções de uma banda de todos os tempos, aonde Bono, travestido de Mephisto sacaneava, de uma maneira subliminar, tudo aquilo que a própria banda tinha construído até então. Os clipes passaram a ser visualmente deslumbrantes, as camadas eletrônicas passeavam com desenvoltura pelas músicas (Lemon, Zooropa, Numb), e aquele U2 da maneira como conhecíamos nunca mais seria o mesmo, em um disco tão revolucionário que muitas pessoas não conseguiram entender na época. Sobra espaço até para uma homenagem ao grande Johnny Cash, presente na faixa "The Wanderer" , perfeita para a voz marcante do man in black.
Alguns fãs foram perdidos, outros ganhos.
O próximo disco era esperado como um acontecimento mundial, afinal o que mais eles poderiam nos entregar, sendo que toda a máscara da banda tinha caído por terra nos discos anteriores? Alguns boatos diziam que eles iriam lançar um disco eletrônico, ou tecno. O bochicho aumentou quando foi revelado que um dos produtores seria Howie B, famoso por trabalhar com artistas de veia eletrônica, e ex-namorado de Bjork.
E quando pensávamos que a surpresa não aconteceria, eis que o lançamento do disco era feito em uma loja da Wall Mart, o templo do consumo da classe média americana, em uma clara crítica ao modo essencialmente mercantilista que o mundo (em especial os EUA) vivia na época. Infelizmente isso não acabou.
Um disco subestimado, de muito mais fácil audição acabou não sendo o grande sucesso que a banda esperava. A tal veia "dançante" nada mais era do que algumas músicas, pra variar bem-humoradas, com uma base eletrônica, como no caso de "Mofo" e "Miami". Sem falar que eles lançaram uma das músicas que virou um quase-hit instantâneo, que acabou sendo para mim uma das músicas mais legais de toda a carreira do U2, "Discotheque". Com um clip engraçadíssimo, aonde tod a banda se travestia de Village People no final (a cara do sempre sério Larry Mulen morrendo de rir já vale o clip) mostrava uma banda tão segura de si que não se importava em pagar um mico histórico.
Genial.
Ao final as críticas foram tantas que, mesmo com músicas "estilo U2", como "Staring at the Sun", "Please" e "Wake Up Dead Man", eles foram obrigados a abortar a auto-ironia e lançar, mais uma vez, um disco sério na carreira. O ultra-bem sucedido "All That You Can't Leave Behind".
Mas isso já é outra história.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Assisti a um pedaço da apresentação de FatBoy Slim na Praia do Flamengo que passou na MTV. Sou fã dele, tenho todos os discos, mas será que só eu que não vi absolutamente nada demais na discotecagem dele?
Um mero tocador de discos desengonçado.
Que decepção...
Escrito por às 21h49
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|
 |


|
 |