PÉROLAS PERDIDAS

Josh Rouse - Under Cold Blue Stars
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Josh Rouse - 1972
Um dos esportes mais legais é o famoso CDShop-Walking. O nome é ridículo, eu sei, afinal acabei de inventá-lo, mas serve como uma pequena introdução ao post.
Vários artistas lançam seus discos no Brasil de uma maneira obscura, sem quase nenhuma mídia e pouquíssima cobertura das revistas especializadas, sem falar no total desconhecimento de causa dos famosos vendedores das famigeradas lojas de disco de shopping centers, que não entendem absolutamente nada de música.
Detesto procurar discos nessas lojas, que só querem saber de empurrar o último "grande" lançamento de um tal de CPM 24 ou algum indefectível disco de novela, afinal o estoque é grande e eles precisam desovar tudo. Coitados, não?
Dessa maneira prefiro as lojas menores, mais underground, aonde o pessoal que te atende, via de regra, realmente entende do assunto e não se furta a falar mal de algum artista se ele não gostar.
Toda essa introdução apenas para falar de Josh Rouse, um típico exemplo do que eu acabei de citar, afinal seu disco foi lançado a um tempão aqui no Brasil, e ainda corre o risco de ser encontrado em uma daquelas liquidações de 9,90. Uma sugestão: Não deixe esse disco ficar levando poeira e compre logo, afinal se trata de um excelente trabalho.
A verdade é que toda a obra de Josh Rouse é muito boa, aonde a influência Country acabou transformando seu som em um tal de "Alt-Country" , um rótulo ridículo que algum entendido colocou apenas para visualizar o som um pouco mais independente do ranço interiorano desse tipo de música, com uma pitada mais pop. Isso acaba sendo uma limitação injusta , afinal o artista consegue agregar mais influências do que o próprio rótulo supõe.
Digamos que seria um cruzamento entre a introspecção de Bruce Springsteen em "Nebraska" , com a atitude independente de um Wilco fase "Yankee Hotel Foxtrot" , mais um pé no pop atual de Ryan Adams.
O primeiro disco dele que eu comprei foi o tal perdido na loja, chamado "Home" , o único lançado no Brasil, que, sendo seu segundo disco, marca uma fase de "amadurecimento comercial", largando um pouco as raízes folk de sua estréia, o belo "Under Cold Blue Stars" , aonde grandes músicas como "Nothing Ever Gives Me Pleasure" , "Christmas With Jesus" e a faixa que dá nome ao álbum ainda já indicavam o caminho a ser seguido no seu próximo álbum. Um pop elegante, econômico, modulado pela voz incrivelmente frágil de Rouse.
Já em "Home" , o que ainda era incipiente se torna evidente com a incrível veia pop de músicas como "Marvin Gaye" e "Parts and Acessories" . Sobra espaço até para uma música que poderia perfeitamente estar no último disco do Coldplay, chamada "100m Backstroke" . Sua namorada vai adorar.
O grande disco de sua carreira, so far, é a obra-prima 1972, aonde ele se cerca de todas as suas raízes ao ir para Nashville , o berço da Country Music e homenagear com um disco recheado de soul music e spirituals o ano de seu nascimento. Egocentrismo é pouco.
Afastando-se completamente de toda a influência que o local poderia impor ele emula o que existiu de melhor na soul music dos anos 70, relembrando Marvin Gaye e Stevie Wonder, com um disco perfeito para ser escutado a dois em uma noite fria. Experimente a balada-Kitsch "James" , o Gospel (paa quem não sabe vem da junção das palavras God + Spell – A voz de Deus) "Sparrows Over Birmingham" e o incrível groove de "Under Your Charms".
Como minha obsessão por descobrir novos artistas não possui limites acabei comprando todos esses discos comentados aí, torcendo para que algum de vcs que leia o blog, se ainda não conhecer Josh Rouse, faça a alegria de sua parceira (o).
Escrito por Osorio Coelho às 18h19
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