VITROLA VIRTUAL


AULA DE ROCK

Já falei no antigo blog sobre Neil Young. Antes que eu comece a falar desse disco, permitam-me dizer que não vou revisar o texto. Quero escrever ainda sob a emoção de ter escutado um dos discos que pode mudar a vida de uma pessoa. Não faria sentido eu desejar escrever algo que soasse inteligente, ou palatável para todos que costumam frequentar esse blog. E sabem pq? Pq o próprio rock é assim. Visceral, transgressor, sensual, emocionante e, principalmente nesse post, perfeito.

Sras e Srs, Neil Young.

 Neil Young - Ragged Glory

Depois que eu comecei a escutar Neil Young, bem tarde, primeiramente com o sensacional "Mirrorball" , e aqui não tenho vergonha nenhuma de contar que comprei somente pelo Pearl Jam, no estouro do grunge, a coisa se espalhou na minha vida como um vírus do bem. Acabei comprando vários discos dele, completamente transtornado pela qualidade de sua música e pela paixão que ele consegue transmitir em cada disco. Isso fica ainda mais evidente em "Ragged Glory" , com sua banda do coração, o Crazy Horse.

O ano era 1990, perto da explosão mundial do tal grunge. O rock iria ser transformado no ano seguinte com o ultra-mega-platinado "Nevermind" do Nirvana, mas Neil Young se antecipou e lançou o que deve ser o disco mais explosivo de toda a sua carreira. A capa já dá uma idéia do que esperar, com a banda tocando no estúdio (não sei se o disco foi todo gravado dessa maneira, mas...), sem nenhum luxo, nenhuma pretensão, apenas o desejo de mostrar à garotada que assiste MTV e achava que o rock tinha começado naquele ano que existia um lugar aonde "psychedelic music fills the air" , aonde os remanescentes da era de Aquário mostram ao mundo que "peace and love live there still".

Anunciando a paulada certeira que vem por aí Young começa com "Country Home" e "White Line" da maneira com que as músicas vão ser tocadas: Guitarras no talo, refrães harmoniosos e aquele cheiro de fazenda que sempre vem com o sotaque caipira dele. E tome "Fuckin' Up" , que vai envergonhar aquele seu vizinho que acha que Iron Maiden é a coisa mais legal do mundo. Duvido se ele não vai bater na sua porta para perguntar o que está tocando. Sem falar na maravilhosa "Over and Over" , a melhor música do disco, que serviria como uma emocionada declaração de amor para sua namorada (o), como ela(e) nunca imaginaria.

"So I go running back to you,
Over and over again.
Over and over again my love
Over and over again with you
Over and over again my love
Over and over again with you."

Falar de todas as músicas do disco seria chover no molhado, já que a pegada é mantida até o final, sem pausa paa descanso, com finais dignos de shows ao vivo, aonde a microfonia fica rangendo. O melhor de tudo isso é o prazer em tocar com a banda, que fica nítido em todas as músicas, não raro com 7, 8 e até 10 minutos de duração.  O Baterista Ralph Molina inclusive opta por dar em suas conduções um aspecto mais "limpo", utilizando por várias vezes o prato de condução, e não o chimbal que, utilizado com seus pratos um pouco abertos já passa um pouco a sensação de "sujeira". Paradoxal, mas se prestarem atenção vão entender do que eu estou falando.

Para terminar, Young mostra sua preocupação ambiental, adaptando na música folk "The Water Is Wide" a letra de "Mother Earth" , em uma versão ao vivo, emocionante e politicamente correta. Um final à altura do melhor disco de Neil Young.


Quando eu falei sobre a "salvação" do rock nos anos 90 com o Nirvana e seu "Nevermind", gostaria de esclarecer que essa história não serve para mim. No ano de 1995 eu estava com exatos 25 anos, musicalmente perdido, sem nada que me empolgasse. Uma banda, por mais incrível que possa parecer me trouxe de novo à realidade musical e roqueira, e me fez, mais uma vez, voltar a comprar com voracidade discos. Foi Dave Grohl e seu Foo Fighters, com o disco "Foo Fighters". Podem falar "que absurdo", por ser uma banda tão..."normal"...não tô nem aí.

Meu agradecimento sincero a ele, e não ao Nirvana.



 Escrito por Osorio Coelho às 18h24
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JOSH HOMME COMBO

         

Kyuss - Blues for the Red Sun

Kyuss - ...And the Circus Leaves Town

 

Algum tempo atrás, no finado CINEPOPMUSICULTURE, falei do projeto solo de Josh Homme, o líder do Queens Of The Stone Age, chamado The Desert Sessions. Em um dos comentários a pessoa fez uma pergunta polêmica: "Josh Homme, o novo Hendrix?". Eu devo falar que, apesar de ser um grande fã de Homme, discordo dessa colocação, afinal, tirando o fato de Jimi Hendrix ser incomparável, seus estilos são completamente diferentes.

Enquanto que Hendrix paticamente tinha uma relação quase que sexual com sua guitarra, envolto em microfonias, grooves e dono de um estilo altamente sensual e bluesy, Homme prima mais pelo minimalismo de suas palhetadas, criando uma sensação monolítica, pesada, entupino sua guitarra de pedal fuzz. Obviamente isso não tira seus méritos como grande guitarrista que efetivamente é, mas compará-lo a Jimi Hendrix é, no mínimo, injusto. Com Josh Homme.

Ele foi o criador de uma das bandas mais cultuadas do deserto californiano nos anos 90, praticamente pedra fundamental do termo "stoner rock". Essa banda era o Kyuss, os filhos bastardos do Black Sabbath.

Tenho dois discos do Kyuss, e pretendo ter a coleção completa, mas o fundamental deles já faz parte de minha coleção, o responsável pela popularização (??) do tal conceito stoner. Ele se chama "Blues For the Red Sun", uma epopéia realizada na fronteira com o México por adolescentes cheios de testosterona e drogas na cabeça, conduzidos por um grande talento, o tal Josh Homme.

Hoje, ao escutar o disco, que possui uma produção ruim, aonde inexplicavelmente deixaram de lado o peso dos instrumentos em favor da sujeira (exatamente o oposto do que ocorre hoje com o Queens Of The Stone Age), vejo que a veia pop presente no QOTSA ainda não tinha surgido, coisa que foi começar a aparecer no excelente "...And The Circus Leaves Town", aonde a tão esperada "perfeita fusão do peso com a melodia" finalmente era digerida. O embrião do QOTSA aparecia.

Outra grande característica da banda eram as intermináveis jams, motivo pelo qual foram praticamente expulsos do palco do Rock in Rio, pois a platéia Brasileira não conseguiu captar o momento único que estavam presenciando lá, com o QOTSA. Uma grande banda surgia e, mais uma vez, o Brasil deixou o trem passar. É só escutar a empolgação juvenil dos discos, com músicas como "Thumb", "50 Million Year Trip (Downside Up)" e as jams alucinadas de "Molten Universe" e "Apothecarie's Weight". 

Eagles of Death Metal - Peace Love Death Metal

 

Atualmente considero Homme um dos caras mais gente-fina do rock, no sentido de que suas participações quase que de forma industrial em outros projetos, solos ou não, acabam levando o seu carimbo de qualidade, como no não menos espetacular Eagles Of Death Metal, aonde Homme além de auxiliar com o Back-Vocal, toca...bateria. Seu estilo, se posso dizer, seria bem Meg White, ou seja, muita transpiração e zero de técnica, em um disco aonde a máxima de que "rock é diversão" é levada às últimas consequências.

Gravado em menos de 1 semana, o disco é uma mistura de blues com stoner, lembrando o Psychobilly de um The Cramps com o garage rock de um Mooney Suzuki. Até uma cover da banda Stealers Wheel entra no pacote, devidamente rebatizada de "Stuck in the Metal" (Stuck in the Middle of you). A impressão que dá é que Homme e seu chapa Jesse Hughes se divertiram à beça fazendo o disco, e essa empolgação é transportada para o ouvinte, que é brindado com um excelente disco de rock.

Logicamente a veia pesada não poderia ficar de fora, em músicas como "I Only Want You" e na ótima "Speaking in Tongues". Dá para sentir o cheiro de cerveja e cigarros saindo do cd. Uma ótima opção, em um dos grandes lançamentos do ano de 2004.

Josh Homme é ou não é cool?


A Revista Zero, em sua última edição fez uma pesquisa interessante, perguntando a algumas pessoas quais eram os seus segundos discos favoritos. Por segundo disco podemos entender que seja a afirmação do artista, que pode ter lançado um trabalho incendiário e depois caído no lugar-comum. Pode-se dizer sem medo de errar que o segundo disco é até mais importante que o primeiro. Da minha estante de cds vão os meus favoritos:

 Neil Young - Everybody Knows This is Nowhere - O grande Neil Young e seus CrazyHorses lançam um disco fundamental do country-rock americano. E o cara é canadense. Maravilhoso. Destaque: "Cinnamon Girl"

 Dois - Legião Urbana - O melhor disco de rock Brasileiro de todos os tempos. Pronto. Vai merecer um post maior no futuro. Destaque: "Tempo Perdido"

 (What's the Story) Morning Glory? - Oasis - A banda mais importante do Rock Britânico, após um lançamento que deveria estar entre os 10 melhores de todos os tempos lança uma usina de hits. Obrigatório. Destaque: "Roll With It"

 Transformer - Lou Reed - Já comentado aqui no blog. Um disco sem defeitos, com o grande Mick Ronson. Destaque: "Vicious"

 Rated R - Queens of the Stone Age - Tem "Feel Good Hit of the Summer". Precisa dizer mais? Maravilha pop-rock. Destaque: "Monsters in the Parasol" (colocar a música acima seria covardia...)

Estou esperando a listinha de vcs!!! Postem!!

 



 Escrito por Osorio Coelho às 18h27
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