JOSH HOMME COMBO

Kyuss - Blues for the Red Sun
Kyuss - ...And the Circus Leaves Town
Algum tempo atrás, no finado CINEPOPMUSICULTURE, falei do projeto solo de Josh Homme, o líder do Queens Of The Stone Age, chamado The Desert Sessions. Em um dos comentários a pessoa fez uma pergunta polêmica: "Josh Homme, o novo Hendrix?". Eu devo falar que, apesar de ser um grande fã de Homme, discordo dessa colocação, afinal, tirando o fato de Jimi Hendrix ser incomparável, seus estilos são completamente diferentes.
Enquanto que Hendrix paticamente tinha uma relação quase que sexual com sua guitarra, envolto em microfonias, grooves e dono de um estilo altamente sensual e bluesy, Homme prima mais pelo minimalismo de suas palhetadas, criando uma sensação monolítica, pesada, entupino sua guitarra de pedal fuzz. Obviamente isso não tira seus méritos como grande guitarrista que efetivamente é, mas compará-lo a Jimi Hendrix é, no mínimo, injusto. Com Josh Homme.
Ele foi o criador de uma das bandas mais cultuadas do deserto californiano nos anos 90, praticamente pedra fundamental do termo "stoner rock". Essa banda era o Kyuss, os filhos bastardos do Black Sabbath.
Tenho dois discos do Kyuss, e pretendo ter a coleção completa, mas o fundamental deles já faz parte de minha coleção, o responsável pela popularização (??) do tal conceito stoner. Ele se chama "Blues For the Red Sun", uma epopéia realizada na fronteira com o México por adolescentes cheios de testosterona e drogas na cabeça, conduzidos por um grande talento, o tal Josh Homme.
Hoje, ao escutar o disco, que possui uma produção ruim, aonde inexplicavelmente deixaram de lado o peso dos instrumentos em favor da sujeira (exatamente o oposto do que ocorre hoje com o Queens Of The Stone Age), vejo que a veia pop presente no QOTSA ainda não tinha surgido, coisa que foi começar a aparecer no excelente "...And The Circus Leaves Town", aonde a tão esperada "perfeita fusão do peso com a melodia" finalmente era digerida. O embrião do QOTSA aparecia.
Outra grande característica da banda eram as intermináveis jams, motivo pelo qual foram praticamente expulsos do palco do Rock in Rio, pois a platéia Brasileira não conseguiu captar o momento único que estavam presenciando lá, com o QOTSA. Uma grande banda surgia e, mais uma vez, o Brasil deixou o trem passar. É só escutar a empolgação juvenil dos discos, com músicas como "Thumb", "50 Million Year Trip (Downside Up)" e as jams alucinadas de "Molten Universe" e "Apothecarie's Weight".

Eagles of Death Metal - Peace Love Death Metal
Atualmente considero Homme um dos caras mais gente-fina do rock, no sentido de que suas participações quase que de forma industrial em outros projetos, solos ou não, acabam levando o seu carimbo de qualidade, como no não menos espetacular Eagles Of Death Metal, aonde Homme além de auxiliar com o Back-Vocal, toca...bateria. Seu estilo, se posso dizer, seria bem Meg White, ou seja, muita transpiração e zero de técnica, em um disco aonde a máxima de que "rock é diversão" é levada às últimas consequências.
Gravado em menos de 1 semana, o disco é uma mistura de blues com stoner, lembrando o Psychobilly de um The Cramps com o garage rock de um Mooney Suzuki. Até uma cover da banda Stealers Wheel entra no pacote, devidamente rebatizada de "Stuck in the Metal" (Stuck in the Middle of you). A impressão que dá é que Homme e seu chapa Jesse Hughes se divertiram à beça fazendo o disco, e essa empolgação é transportada para o ouvinte, que é brindado com um excelente disco de rock.
Logicamente a veia pesada não poderia ficar de fora, em músicas como "I Only Want You" e na ótima "Speaking in Tongues". Dá para sentir o cheiro de cerveja e cigarros saindo do cd. Uma ótima opção, em um dos grandes lançamentos do ano de 2004.
Josh Homme é ou não é cool?
A Revista Zero, em sua última edição fez uma pesquisa interessante, perguntando a algumas pessoas quais eram os seus segundos discos favoritos. Por segundo disco podemos entender que seja a afirmação do artista, que pode ter lançado um trabalho incendiário e depois caído no lugar-comum. Pode-se dizer sem medo de errar que o segundo disco é até mais importante que o primeiro. Da minha estante de cds vão os meus favoritos:
Neil Young - Everybody Knows This is Nowhere - O grande Neil Young e seus CrazyHorses lançam um disco fundamental do country-rock americano. E o cara é canadense. Maravilhoso. Destaque: "Cinnamon Girl"
Dois - Legião Urbana - O melhor disco de rock Brasileiro de todos os tempos. Pronto. Vai merecer um post maior no futuro. Destaque: "Tempo Perdido"
(What's the Story) Morning Glory? - Oasis - A banda mais importante do Rock Britânico, após um lançamento que deveria estar entre os 10 melhores de todos os tempos lança uma usina de hits. Obrigatório. Destaque: "Roll With It"
Transformer - Lou Reed - Já comentado aqui no blog. Um disco sem defeitos, com o grande Mick Ronson. Destaque: "Vicious"
Rated R - Queens of the Stone Age - Tem "Feel Good Hit of the Summer". Precisa dizer mais? Maravilha pop-rock. Destaque: "Monsters in the Parasol" (colocar a música acima seria covardia...)
Estou esperando a listinha de vcs!!! Postem!!
Escrito por Osorio Coelho às 18h27
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