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THE SOUL SESSIONS

Stevie Wonder - Songs in the Key of Life
A música Soul é muitas vezes relacionada a uma coisa meio sensual, até mesmo sexual, devido ao seu estilo sexy, com músicas que, na maioria das vezes falam de relacionamentos, a eterna busca do entendimento com o sexo oposto (ou não...), sempre com um ritmo que serve tanto para trazer pensamentos impuros à nossa mente como animar o corpo para uma abordagem mais, digamos, intensa. São algumas das características do Soul, que envolve também espiritualidade, preconceito racial e uma infinidade de assuntos polêmicos emoldurados por, via de regra, um cantor com voz dos Deuses e um instrumental do inferno. Que coisa, não?
Stevie Wonder deve ter feito com "Songs in the Key of Life", provavelmente um dos discos mais imitados, sampleados e incensados de toda a história da música, afinal não é todo dia que nos deparamos com um disco que absolutamente não possui defeitos. Com uma das vozes mais bonitas da história do Soul, Stevie Wonder de cara já começa "for the lovers" com a belíssima "Love’s In Need of Love Today", um início arrasador que vai marcar o andamento do disco, versando na maioria das vezes sobre amores e a espiritualidade latente, que acaba mostrando qual foi a real idéia de Stevie Wonder na hora de fazer o disco: Amar acima de todas as coisas a Deus, como na música "Have a talk with God" , aonde existe a idéia de levarmos todos os nossos problemas às vistas de Deus. Tudo isso embalado por muito suingue.
Mas a visão espiritual dele não tapava seus olhos (opa!) para os problemas sociais que afligiam a sociedade americana da época, aonde a criminalidade rolava solta, e as drogas começavam a destruir lares. Não nos esqueçamos de que esse disco foi lançado em 1976, época que os Eua viviam o perigo constante de guerras entre gangues e o auge do blackexploilation. "Village Ghetto Land" é exatamente sobre isso, com casas tendo que ser trancadas, desprotegidas pela corrupção policial incrustada no País nessa época. Mas deixando a tristeza de lado podemos explorar as incursões jazzísticas de Wonder como na instrumental "Contusion" e na sacolejante "I Wish".
Como que um descobridor de novos ritmos, um alquimista sonoro, Wonder influenciou uma série de artistas, com sua incrível capacidade de comandar todo o processo de criação, com o selo de produzido, arranjado e composto por Stevie Wonder. Coisa meio impensável hoje em dia, visto que a maioria dos artistas são subprodutos de seus verdadeiros donos, os grandes selos, que empurram goela abaixo deles produtores que vão tentar tornar o produto final mais palatável para o grande público. Quesito que esse disco passa com sobras. Sem falar no fato de que ele é duplo. "Pastime Paradise" e "As" são exemplos de músicas chupadas por artistas como Coolio e George Michael. Jamiroquai venderia toda a sua coleção de Lamborguinhis somente para fazer uma música como "Black Man". E por aí vai. A lista de artistas influenciados ou chupadores mesmo seria interminável.
A verdade é a seguinte. Vou arriscar dizer aqui que "Songs in the Key of Life" é um dos discos mais perfeitos de toda a história da música. Ponto final.
Olha que eu nem citei os maiores sucessos, como "Isn’t She Lovely" e "Ngiculela". Aí seria coverdia.
Comprem esse disco ontem.
Como love is in the air, e no clima da loja dos chapas Rob, Barry e Dick vou fazer uma listinha de músicas perfeitas para transar. Já fiz isso um tempão atrás no início do Cinepopmusiculture, mas ninguém lia ainda. Vale a pena fazer de novo, sem cair no lugar-comum de músicas de artistas como Bryan Ferry e Marvin Gaye, com músicas que exalam sexo. A idéia aqui é uma lista diferente, com todas as músicas testadas e aprovadas...pode confiar.
- "Wiser Time" – Black Crowes
- " Karma Police" – Radiohead
- "Sweet Jane" – Velvet Underground
- "Clocks" – Coldplay
- "Born Again" – Starsailor
Alguma outra sugestão?
Escrito por Osorio Coelho às 19h51
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NUVENS CARREGADAS
"It's so cold in Alaska"
Em uma das antigas edições da finada revista Bizz, uma reportagem sobre o Radiohead colocou uma frase interessante sobre o disco The Bends, dizendo que este seria um novo Berlin, discaço de Lou Reed. Motivado pela tal frase resolvi me arriscar e assumir a espinhosa tarefa de tentar enxergar, ou decifrar alguma semelhança entre eses dois discos, fundamentais na discoteca de qualquer um que goste de música como um expressão grandiosa de arte.

Lou reed - Berlin
Radiohead - The Bends
Antes, porém, algumas explicações. Não é segredo para ninguém que eu considero o disco The Bends como sendo o melhor do Radiohead, apesar da crítica e de outros fãs preferirem o "Ok Computer". Comprei o disco extasiado pela beleza da canção "Fake Plastic Trees" , que tocava em uma propaganda. Não me recodo agora qual. Já com Lou Reed a compra veio de uma maneira diferente, mas não menos obsessiva, afinal após o maravilhoso "Transformer" , eu simplesmente teria que ter tudo o que realmente importasse de Lou Reed, incluindo o sensacional "Berlin".
"Berlin" foi lançado em 1973, e, mais ou menos 20 anos depois, o Radiohead lançaria sua obra-prima, o inexpugnável "The Bends". Já li que muitos consideram o disco de Lou Reed como se fosse uma obra conceitual, o que eu não concordo, afinal acredito que um disco para ser conceitual deve possuir um fio condutor, ainda que de forma tênue (como no "Absolution" do Muse), ou escancarada mesmo, como "Tommy" e "Quadrophenia" do The Who. Não consigo notar isso nesse disco e, muito menos, no disco do Radiohead alguma relação que conecte todas as músicas, a não ser uma qualidade inerente aos dois discos, que vai permear todas as duas obras. Uma atmosfera opressiva.
Seria essa a única semelhança entre os dois discos? Musicalmente falando sim, afinal "Berlin" é um disco introspectivo por natureza, calcado na guitarra de Reed, aonde junto com suas letras, que mostram o lado sórdido da condição humana, encontram moradia perfeita. Enquanto isso o Radiohead apela para um aspecto teatral, com Thom Yorke mostrando todas suas vísceras, enquanto que o clima meio esquizofrênico se mistura, criando um ambiente perfeito para a poesia encouraçada de Yorke. Essa é a grande diferença dos dois discos, afinal enquanto que Lou Reed, apesar de ser mais contido arranca a máscara de uma sociedade podre e infectada pela desgraça, Thom Yorke se utiliza de subterfúgios para proteger suas letras de uma forma quase que imperceptível, mas mostrando da mesma maneira toda a hipocrisia reinante na sociedade atual. É o próprio mainstream sendo atacado, sendo dilacerado e nem sentindo os ataques frontais e certeiros.
São evidentes essas considerações assim que escutamos músicas de Lou Reed como "The Kids" (Prostituta perde seus filhos), "The Bed" (suicídio) e "Caroline Says I" (sexo e traição). A sutileza do Radiohead é percebida, por exemplo, em "Nice Dream" (drogas), "Bones" (câncer) e até mesmo na belíssima "Fake Plastic Trees", aonde uma mulher não consegue aceitar sua aparência. Hipocrisia. Futilidade. Tristeza.
No final das contas posso ao mesmo tempo discordar e concordar com a afirmação citada no início do post, afinal a aura sombria é comum aos dois discos, mas ao mesmo tempo são obras distintas que absorveram um momento na vida dos criadores, que, em épocas diferentes, conseguiram mostrar a verdadeira face de um mundo real, que se esconde atrás de propagandas e de uma sociedade hipócrita e narcisista. Não é à toa que os discos terminam com "Sad Song" (Berlin), e "Street Spirit (fade out)" (The Bends). A máscara caiu. Ainda bem.
"If you think that you're strong enough
Nice dream"
Escrito por Osorio Coelho às 18h53
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