LEVANTA E SACODE A POEIRA!
Nunca encarei meu blog como um diário digital, talvez sua função primordial. Na verdade sempre achei um saco esses blogs aonde o post mais interessante era que no almoço o fulano (a) tinha comido carne-de-sol ao invés de peito de frango. Ora faça-me o favor!! Boring...
Por isso, quando resolvi criar um blog e compartilhar com os amigos que perdem um pouco do seu precioso tempo para ler as bobagens que eu escrevo aqui, nunca imaginei dividir com vocês coisas pessoais, alguns problemas, pois são assuntos extremamente íntimos e que não interessam a ninguém. Isso até o dia de hoje, pois um disco foi importantíssimo na minha vida, me ajudando a repensar alguns aspectos e também me dando força em momentos de extrema apreensão. Esse disco chama-se The Rising, do grande Bruce Springsteen.
Bruce Springsteen - The Rising
Quando chegamos a um certo ponto em que imaginamos ter absoluto controle sobre tudo o que acontece em nossa vida, eis que algumas reviravoltas surgem no caminho e fazem desaparecer a terra firme em que pisávamos, como se fosse um aviso de que nossa existência é muito mais do que sonhamos algum dia ter. Com 22 anos perdi o meu Pai, vencido pelo câncer e, desde então, minha Mãe tem sido meu porto seguro, dona de uma força e uma sabedoria aparentemente inesgotáveis, até a notícia de que ela talvez tivesse um tumor no pulmão. Na mesma época fico sabendo que vou ser Pai de gêmeos, e após um acidente terrível aqui na empresa me dei conta de que nunca fui verdadeiramente feliz com o meu trabalho. resolvi virar o estereótipo do morador de Brasília e tentar um cargo concursado no Governo Federal. Mudanças. Abismo sem fundo. Terra firme? Que nada...
Bruce Springsteen então resolve se reunir mais uma vez com sua E Street Band. Ele já foi citado aqui no blog por mim e pelos amigos que sempre deixam seus comentários como um artista diferente, ídolo do "ordinary man" , aquela pessoa que nada mais é do que um trabalhador normal, com sonhos e necessidades que diante das coisas normais da vida parecem pequenas. Ledo engano. Nada é mais importante do que isso e, ao mesmo tempo, nada é mais prazeroso. Conseguir encontrar alegria em um simples bate-papo com um grande amigo, ou torcer pelo mesmo time. Ou ainda se emocionar ao escutar belas canções.
Sem a menor pretensão de ser tachado como oportunista pela sua homenagem aos bombeiros que trabalharam no resgate e na remoção de escombros do WTC, Springsteen dá uma injeção de ânimo ao mesmo tempo em que toca em feridas ainda não cicatrizadas pelo terrível atentado terrorista. "Into the Fire" é de partir o coração, com a jornada estafante dos bombeiros dentro do prédio em ruínas, enquanto que "Countin' on a Miracle" mostra sua inesgoável capacidade de acreditar em um milagre que não chegará nunca. A impotência diante de elogios (Nothing Man) e sua visão mais espiritual da reunião de novas forças, mesmo quando o corpo não responde mais (My City of Ruins).
Mas o disco se chama The Rising. Encontra forças aonde não existe mais. Vê esperança aonde a tragédia prevaleceu. "Come up for the rising, come up lay your hands in mine..." proclama Springsteen como que se quisesse mostrar que na hora da adversidade um povo mostra sua força. Mostra sua verdadeira face. Basta apenas alguém que lidere as massas, mesmo que involuntariamente.
Paralelamente na minha vida isso aconteceu. O disco veio como um bálsamo e me fez mais uma vez encontrar sentido em situações que mostravam apenas a terrível face da desordem. A música tem dessas coisas, assim como bons amigos que me suportaram nessas horas.
Minha Mãe está bem, foi um alarme falso. Meus filhos ainda não nasceram, mas são perfeitos e muito amados desde já com um amor incondicional. Continuo estudando como não fazia a 13 anos.
Thanks Bruce.
Ainda consigo acreditar na humanidade. O Creed acabou.
Escrito por Osorio Coelho às 18h41
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