ANGER IS AN ENERGY
PIL - Public Image
PIL - Compact Disc
A verdade é que eu tinha um medo terrível de comprar outro disco do PIL, além do espetacular Compact Disc. Vou explicar a razão disso.
Compact Disc foi um vinil que me impressionou tanto na época de seu lançamento que eu imaginei que nunca mais a banda seria capaz de lançar algo tão poderoso, tão hostil e tão virulento, me fazendo pensar que nada mais poderia ser tão bom quanto aquele disco. Mal sabia que o PIL já havia lançado um disco que, se não foi melhor, foi tão ou mais energético. Eu devo ter alguma razão nesse sentido, afinal eu tinha uns 16 anos mais ou menos quando comprei o tal disco. Não tinha ainda dicernimento para captar toda o discurso punk de John Lydon. Não tinha estrutura nem emocional para absorver palavras de ordem como "Anger is an energy". Isso deveria ter sido proibido para menores na época.
Ginger Baker sentava a mão sem dó no seu kit de bateria através de uma extrema simplicidade só superada pela sua violência na hora de mostrar a bateria monolítica do disco. Um baterista pode fazer toda a diferença em um disco, não só pela sua extrema técnica, que não ficou evidente nesse disco, mas pela produção, que beneficiou uma lenda na bateria. Falando não dá para saber, tem que escutar músicas como "Rise" e "FFF" para entender.
Isso durou até pouco tempo atrás, quando consegui comprar a versão em CD do Compact Disc. Vi o Public Image me encarando e a sensação de Déja Vu foi total. Não pedi para escutar o disco nesse momento, talvez ainda temeroso do que eu tinha vivido anos atrás. Isso até me ver envolvido com algumas encomendas que eu tinha feito na loja e, finalmente pedir para escutar o tal disco.
A sensação que ele deu foi de "música do fim-do-mundo". John Lydon atira contra tudo e contra todos, algumas vezes com discursos fascistóides e até mesmo infantis contra a religião e a igreja, demolindo de sua forma essas instituições que, na sua cabeça, são inúteis. Um bom papo para uma outra hora. Tudo esta lá, o discurso punk, desembocando em uma sonoridade pós-punk, com linhas de baixo ainda mais nervosas do que o disco posterior, com uma base de guitarras cheia de efeitos dando suporte para a ira de John Lydon.
As músicas, uma a uma, vão demolindo a minha resistência e, ao final, cansado por ter passado por uma prova difícil (não acredita? escute o disco...) acabo me rendendo. O disco é realmente muito bom. O cinismo e a total falta de auto-indulgência acabam me conquistando, pois o que se reflete no final das contas é a própria capacidade de nunca se levar a sério, o que é sempre salutar no rock.
O impacto, obviamente, não foi o mesmo de 18 anos atrás, mas de uma certa forma acabou com um dos maiores preconceitos que eu tinha na vida. Se me pedirem para explicar, não consigo.
Música tem dessas coisas. Deixa marcas invisíveis na nossa alma, que cedo ou tarde aparecem para levar nosso espírito para bem longe. Nem que seja até a minha época de 2º grau aonde comecei a descobrir o que realmente importava na música.
Eu sempre tive outro preconceito. Com mulheres no rock. Não sei pq, mas nunca gostei de bandas/artistas mulheres, apesar de eu não ser machista. Mas...sei lá. Esse papo aconteceu dentro da famosa loja de discos importados aqui de Brasília:
- E aí, vc conhece Patti Smith? - Perguntou o dono da loja
- Conheço, mas nunca escutei nada dela...- respondi
- Não quer escutar o "Horses"?? Vc vai gostar...- Ele insistiu.
- Ok, ok.. - Já com um pé atrás, lembrando da Courtney Love, não sei pq
Comprei o disco, me apaixonei por ele e um post de fã vem daqui a alguns dias aqui no blog. O disco é fodássimo.
Escrito por Osorio Coelho às 18h30
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