OPORTUNIDADES
Como uma pessoa que praticamente não sobrevive sem boa música, preciso estar sempre me atualizando, procurando coisas novas e redescobrindo artistas antigos. O grande problema disso é o preço absurdamente alto dos cds, que acaba tornando minha obsessão uma coisa extremamente cara. E, para piorar a situação, costumo comprar muitos discos importados. A maioria, aliás.
Quando soube que a filha da irmã de minha cunhada (entenderam?), que mora nos EUA, viria passar uma temporada aqui em Brasília, não perdi tempo e pedi que ela trouxesse uns cds, comprados pela bendita Amazon, entregues na casa dela, na California. Vou apenas citá-los e colocar um pequeno comentário sobre cada um. Gostaria de saber a opinião de vocês sobre os discos escolhidos. Simbora.
Marc Bola's T. Rex - 20th Century Boy - The Ultimate Collection
Marc Bolan foi um dos ícones do tal Glam Rock, cuja explosão ocorreu nos anos 70, em uma mistura de rock, sexo, purpurina e muita, mas muita diversão. Como eu não gostava muito da fase inicial do T. Rex, nunca comprei nada deles, até achar essa sensacional coletânea, que captura tudo o que realmente importa da banda. Desde a irresistível "Get It On" até a ultra-regravada "20th Century Boy" , culpada pela existência de bandas hoje tão díspares como o esquecível (mas divertido) Sigue Sigue Sputnik até os posers do Guns 'n Roses. Em uma festinha modernete experimente colocar a segunda parte desse disco. Duvido que alguém fique parado na pista de dança. We all love to boogie.
Ocean Colour Scene - North Atlantic Drift
Uma das bandas mais legais que surgiram no tal Britrock. Totalmente influenciados pelo mod dos anos 60, com uma pitada de soul e blues eles possuem como característica principal um groove demoníaco capaz de provocar rachaduras na caixa de som. Nesse disco eles acabaram por deixar de lado um pouco o balanço para investir em algumas músicas mais levanta-estádio, com refrões inesquecíveis e grudentos. Nao chega ao brilhantismo do impecável "Moseley Shoals" , mas serve como grande contraponto ao deserto de idéias ruins que assolam a música atual. E são meio que "apadrinhados" por ninguém menos do que Paul Weller. Ou seja, possuem pedigree.
David Bowie - Hunky Dory
O que dizer de David Bowie que ainda não foi dito? Nada eu acho. Apenas que esse disco entrou diretamente na minha parada pessoal de top ten como um dos melhores discos que eu já escutei na vida. Ele conseguiu a incrível proeza de ser ainda melhor do que o maravilhoso "Low" , que eu imaginava ser impossível de ser subjugado. A verdade é que Bowie, como um visionário sempre se cercou das melhores pessoas e, nesse caso, continuou sua parceria com o grande Mick Ronson e colocou no piano ninguém menos do que o prog-chato Rick "Clayderman" Wakeman. Se não me engano o chapa Ricardo Schott do excelente Discoteca Básica já fez uma resenha sobre esse disco (ou apenas um comentário) colocando-o como grande influência para artistas Brasileiros, como Guilherme Arantes. David Bowie, um dos maiores artistas vivos.
Neil Young - Zuma
Para terminar, Neil Young nunca é demais, em um disco que seria como um embrião do perfeito "Ragged Glory". Muitas guitarras, produção suja, a banda Crazyhorse na ponta dos cascos (ops...) e aquela emoção caracerística dele em cada canção. "Danger Bird" já mostrava o que seria a colaboração do Pearl Jam com ele em "Mirrorball" , enquanto que o épico "Cortez the Killer" foi devidamente assassinado (ops de novo...) pelo mauriçola Dave Matthews. Ou seja, ter a griffe Neil Young é garantia de qualidade total nas canções.
Escrito por Osorio Coelho às 18h24
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