PSYCHEDELIA - Not too late
Tocou meu celular.
- Alô
- Fala Osório, é da Modern Music. Chegaram umas novidades. Depois dá uma passada aqui.
Putz, quando eu penso que vou dar um tempo na gastança desenfreada com meus discos...devo ser um cd-addict. Não é possível. Dou um pulo na loja mais tarde. Uma caixa com uns 50 discos novos, todos importados.
ai...
Nem preciso dizer que eu parecia uma criança dentro da Toy 'r Us em New York, babando com os novíssimos lançamentos e os relançamentos. Jesus and mary Chain...Josh Rouse...a Antologia do Gram Parsons??? O novo do Wilco. Meu Deus.
Nunca fui um grande fã e nem entendedor do psicodelismo, mas resolvi tirar a limpo esa minha implicância com as músicas feitas sob a influência de substâncias ilegais. Pra falar a verdade eu tinha escutado apenas o Pink Floyd, que todos aqui sabem não ser a minha banda preferida. Longe disso. Mas na época do lançamento do filme "The Cable Guy" , com Jim Carrey (um filme subestimado, aliás. Cheio de referências a humor negro. Talvez por isso tenha sido um fracasso, afinal a população mundial está em um processo de emburrecimento generalizado), fiquei fascinado com a música "Somebody to Love" , do Jefferson Airplane, uma das bandas que tocava o tal som psicodélico. Achei legalzinho, mas a música citada é muito boa.
Pulamos para 2004 e dois discos caem na minha mão da maldita (bendita?) caixa de papelão:

The Zombies - Odessey and Oracle
The Flaming Lips - The Soft Bulletin
O que esses dois discos estão fazendo aqui juntos? Simples. A temática psicodélica. As influências, não só das tais substâncias ilegais, e merecedores da complicada pecha de clássicos.
Foi difícil segurar o meu queixo quando coloquei a música "A Race for the Prize" dos Flaming Lips. Uma mistura de eletrônica, com grandiloquência. Baixo estourado (coitado do som do meu carro), sequencers, melodia. Tudo junto em nome da tal psicodelia, afinal desde a maravilhosa capa (uma das mais bonitas da década passada) até as experimentações dignas de um Chemical Brothers ainda mais alucinado (ou vcs acham que eles não foram influenciados por "Exit Planet Dust" ??). Talvez esse limite explorado no disco só encontre paralelos no anti-pop praticado pelo Radiohead a partir de "Kid A" , mas sem a mesma auto-indulgência nem a esquisitisse.
Enquanto isso os Zombies vieram lá dos anos 60, com um disco que é considerado um dos melhores de todos os tempos. Já li em algum lugar que esse poderia ser chamado de o "Pet Sounds" deles, mas essas comparações, além de serem desnecessárias, não fazem jus a um trabalho maravilhoso de pop-psicodélico, ao som de muito mellotron e...substâncias proibidas...eheh.
Difícil estabelecer um paralelo entre as duas bandas, já que são mais de 30 anos de diferença entre eles. Mas, infelizmente, acredito que elas não obtiveram no seu devido tempo o reconhecimento necessário, capaz de elevá-los, na época, a condição de clássicos absolutos. Enquanto que o pop-cabeça de "Waitin' for a Superman" , do Flaming Lips mostra que o pop radiofônico pode ser inteligente e instigante, a maravilhosa "Time of the Season" dos Zombies serve para tornar o seu dia mais ensolarado, em uma deliciosa mistura de pop com rock bubble-gum. Só escutando. Aliás desconfio que já ouvi essa música em algum filme. Se vcs souberem de algo, podem me ajudar.
Finalizando, a quebra de conceitos, em favor do ideal musical, em adversidade ao jabá radiofônico pode produzir pérolas que, enquanto forem esquecidas (mea culpa) pelo grande público, são capazes de mudar idéias pré-estabelecidas sobre algum rótulo musical. No caso, o psicodelismo.
- Vai levar mais alguma coisa? - O vendedor me perguntou
- Não cara...já basta...- respondi meio desconfiado.
- Espera aí - Abriu mais uma caixa...
O novo do Nick Drake. A edição especial do primeiro disco do The Who. Um ao vivo do Paul Weller.
Meu Deus.
Escrito por Osorio Coelho às 18h22
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