O ANJO CAÍDO
Eu nunca tinha escutado nada de The Byrds. De Gram Parsons então, nem se fala. Portanto, depois de ler uma série de matérias super elogiosas a ele em revistas gringas (Blender e Uncut) fiquei na maior curiosidade, mas nunca dava certo e eu acabava sem escutar nada dele. Até que um belo dia, ao chegar na Modern Music para pegar uns cds que tinham chegado (vide último post), vi o tal disco me olhando da prateleira. Uma edição dupla, luxuosa, com tudo o que realmente importava de Gram Parsons.
A grande desvantagem dessas caixas é que eles não deixam a gente abrir para escutar as músicas, portanto, em um ato de fé desembolsei uma p... grana (vou me reservar o direito de não dizer quanto paguei) e, morrendo de medo de não gostar do disco, coloquei no carro para tocar.
Involuntariamente, já que ele estava morto, Gram Parsons foi protagonista de um dos casos mais absurdos e surrealistas de toda a história do rock, quando teve o corpo roubado por seu amigo e carregado até o deserto do Mojave para ser queimado, em uma celebração bizarra, acertada anos antes entre os dois. Quem se tornasse um de cujus primeiro seria carbonizado. A história (verídica) rendeu até um filme, chamado Grand Theft Parsons, (uma brincadeira com o fantástico videogame Grand Theft Auto) com o Ex-Jackass Johnny Knoxville no papel de Phil Kaufman, o amigo de Gram Parsons.
Involuntariamente ele acabou criando um mito. Praticamente o inventor do Country-Rock.
Gram Parsons - Sacred Hearts and Fallen Angels: The Gram Parson Anthology
O começo foi engraçado, afinal eles tinham trocado o disco de caixinha, portanto o disco 2 veio na capa do 1, e a primeira música que acabou tocando foi "To Love Somebody" , dos irmãos Gibb (Bee Gees) que, de cara me ganhou, com sua tristeza contida e sua melancolia. Com o jogo ganho, foi uma sucessão de músicas de arrepiar os cabelos, falando de garotas, amores perdidos e decepções, como as belíssimas "Love Hurts", "Slepless Nights" e "The Angels Rejoiced Last Night". Em uma mistura de blues, country, gospel, southern-rock ele acabou criando um estilo até então incipiente, hoje imitado e consagrado, apesar do aspecto manufaturado, sem a emoção consistente que as músicas de Parsons possuiam.
Falar das músicas é até covardia, pois são 46 canções que cobrem desde sua época do The Byrds, até músicas com as bandas The Flying Burrito Brothers e International Submarine Band. Um registro também digno de nota são seus duetos com Emmylou Harris, que elevam a música country a um outro patamar, de clássicos absolutos do rock'n roll. Ou vocês achavam que tal estilo não tinha nada com o rock? Ou vocês achavam que a música Country é muito cafona para ser conhecida? Eu pensava a mesma coisa e, felizmente, consegui enxergar beleza em um estilo que em geral nos faz lembrar apenas de botas, fivelas gigantescas e aquele sotaque horroroso dos Texanos. Gram Parsons te traz muito mais do que isso, uma compreensão quase que cósmica da beleza das letras e de suas canções, agora eternizadas em um disco que faz jus à grandeza artística dele.
Ainda bem que eu comprei o disco.
OS ÍDOLOS (IMPROVÁVEIS) DO VITROLA VIRTUAL

Bruce Campbell
Na nova seção do blog, vou listar alguns ídolos mais que improváveis, que merecem muito mais reconhecimento. O Vitrola Virtual vai lhes fazer justiça, e para começar o ídolo trash Bruce Campbell, da trilogia Evil Dead e, mais recentemente, protagonista de um dos melhores filmes de todos os tempos: "Bubba-Ho-Tep" , aonde Elvis (que não morreu, apenas trocou de lugar com um "impersonator") jaz em uma cama em um asilo para velhos no cafundó do Texas. Junto com JFK (que não morreu tb, apenas tem um pouco de areia no lugar aonde saíram seus miolos, e é negro!!!) combatem uma terrível múmia, que vem aterrorizar o asilo em busca de almas para seu deleite. Obviamente o Rei Is Taking Care of Business. Homem Aranha?? ahahah...
Escrito por Osorio Coelho às 17h59
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