GIVE RUSH A CHANCE
Aqui eu listo as 3 principais razões porquê vocês NÃO gostam do Rush:
1) A voz aguda do Baixista-vocalista Geddy Lee dá nos nervos. Sem falar que ele não é um dos frontmans mais apresentáveis do rock, digamos assim;
2) Os discos são muito pretensiosos. De obras baseadas em Tolkien até viagens interplanetárias. Música para estudantes de conservatório ou nerds. Ou as duas coisas juntas;
3) Os fãs do Rush são um saco. Pior do que os integrantes do MST. Xiitas. Ninguém mais aguenta ouvir pela enésima vez que Neil Peart é deus.
Pois bem, caros amigos, aqui vai um motivo para vocês deixarem de lado esse sentimento ruim e mergulharem em um dos melhores lançamentos do ano. O surpreendente:
RUSH - Feedback
É notória a grande má vontade por parte dos ditos "indies" com o Rush, afinal enquanto esse apela para discos difíceis, megalômanos, conceituais e tal, aquele se baseia na estrutura low-fi, menos é mais, e por aí vai. Ou seja, exatamente o oposto.
A verdade é que precisamos ser justos e enaltecer uma banda que agora, comemorando sua incrível carreira de 30 anos, resolve lançar um disco que joga por terra praticamente todos aqueles motivos listados acima de "como odiar o Rush". Menos o último, afinal os fãs vão continuar sendo um pé no saco.
Ao invés de celebrações, lançamentos de coletâneas, uma mega-turnê (outra), ou alguma outra maneira grandiosa de comemorar a data, os canadenses resolveram lançar um despretensioso disco de covers daquelas bandas que os influenciaram e, de uma certa maneira, os incentivaram a proseguir em uma carreira não menos do que vitoriosa. Existe uma grande diferença entre bandas que passam muitos anos juntas, sem uma única briga e que se tornam grandes malas, subvertendo a máxima do rock'n roll, enquanto outras continuam com as brigas internas, com egos inflamados, mas ainda assim lançando discos poderosos.
O Rush nunca passou por nenhuma turbulência, a não ser quando da morte da esposa e da filha do baterista Neil Peart, onde se temeu pelo futuro da banda. Eles sempre souberam se equilibrar entre os caras "normais" do rock com discos indispensáveis. Obviamente que isso vai muito do meu gosto pessoal, afinal comecei a minha grande trajetória no rock pelo meu primo, com o disco "Exit, Stage, Left" , um duplo ao vivo (e olha que hoje eu nem gosto de discos ao vivo) que me arrebatou com a música "Xanadu".
Mas o motivo do post é o lançamento do disco "Feedback", que coloca no mesmo pacote bandas seminais como o The Who, através de "The Seeker" até Robert Johnson e seu blues "Crossroads" , em uma versão do grande Cream. O que para muitos pode parecer heresia, foi puro deleite para mim. Comparar o estilo brutal de Keith Moon com modo cerebral de Neil Peart (que abdica de toda a sua extraordinária técnica para ser "apenas" um baterista de rock) é entrar na eterna discussão de qual dos dois foi melhor. Não existe tal comparação, são estiços e épocas diferentes. Ouvir a incendiária introdução de "Summertime Blues" nos faz lembrar de como é bom ouvir uma boa banda de rock.
Uma homenagem respeitosa aos conterrâneos canadenses do Buffalo Springfield é válida, com "Mr Soul" e "For What It's Worth" , já que as covers não foram tão subversivas, mas coerentes com a idéia do disco, de apenas celebrar uma banda que não se esqueceu de que, no final das contas, eles são apenas uma "rock'n roll band".
Esse é o disco para quem é fã continuar sendo pentelho, e é também um disco para os detratores da banda refletirem um pouco e esquecerem desse ranço, curtindo o que existe de melhor no rock. A celebração.
Meus gêmeos estão para nascer, e tive que me mudar temporariamente para a casa do meu sogro. A família vai ajudar, e tal...aquela coisa de todo mundo querer pegar as crianças e dar sua parcela de suporte.
Me afastei temporariamente dos meus discos. Não dava para levar quase 1000 discos junto comigo. Os eleitos foram os meus imortais: Bruce Springsteen, Lou Reed, Neil Young, David Bowie e Paul Weller...
Será que eu escolhi bem? Medo...
Escrito por Osorio Coelho às 10h59
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