GARAGE-COUNTRY

Uncle Tupelo - No Depression
Uncle Tupelo - Still Feel Gone
Em um dos posts passados falei sobre a minha "descoberta" do Country Rock. A palavra descoberta vem entre aspas mesmo, já que era muito mais um grande preconceito meu do que propriamente ter uma mente "aberta" (uia!!) para descobrir novos grupos.
Bem, o Uncle Tupelo veio justamente nessa onda de cavar mais fundo, após me envolver com o som do Wilco, de quem eu acabei completando a coleção. Eles, aliás, vão merecer um especial no futuro aqui no blog. Vale dizer que depois do Uncle Tupelo, seus ex-integrantes montaram boas bandas como o Son Volt e o próprio Wilco.
Já que vocês adoram um rótulo, vamos chamá-los de country-garageiros, ou tosqueira-country, ou quando The Band e Neil Young cruzam com os Ramones. Vocês podem escolher. A verdade é que após o lançamento de 4 discos e uma antologia, o som absolutamente visceral e juvenil deles continua atual e muito influente nessa terrível denominação que se ousou chamar de alt.country (credo!!).
Mais uma vez na Modern Music, após comprar todos do Wilco, resolvi seguir o conselho do dono da loja e escutar o tal Uncle Tupelo. Não gostei muito do nome, e depois vim descobrir que tem a ver com Elvis. Depois conto a razão disso. Comprei os dois primeiros, "No Depression" e "Still Feel Gone", com a incrível sorte de terem relançado todos os discos com versões remasterizadas e cheias de extras, outtakes e aquele pacote que vcs já conhecem.
O que realmente me chamou a atenção logo na primeira vez que os escutei foi a música "Graveyard Shift" , uma paulada garage que não faria feio em nenhum disco do Datsuns ou do Mooney Suzuki, com o diferencial de que eles possuíam o famoso sotaque caipira. A urgência segue em "That Year" , que convida os boiadeiros para um fazenda-mosh, ou em "Before I Break" , aonde um riff típico do AC/DC, cortesia do guitarrista Jay Farrar, convive com a endiabrada cozinha do baterista Mike Heidorn e do baixista Jeff Tweedy.
Claro que as raízes mais explícitas de sua bagagem country estão presentes nas músicas "No Depression" , "Whiskey Bottle" e "Life Worth Livin". Nas faixas adicionais uma bela homenagem a Gram Parsons com a cover de "Sin City".
Já no disco posterior, "Still Feel Gone", com uma melhor utilização de recursos de estúdio captamos logo a imensa influência de Sonic Youth ("Gun" e "Fall Down Easy") e de bandas punk ("Nothing" e "Postcard"). A trinca "Still Be Around", "Watch Me Fall" e "True To Life" mais uma vez mostram a procedência rural dos garotos, com muita gaita, pedais steel e ramos de grama na boca.
Nas faixas-bônus o destaque vai para uma cover de uma banda completamente obscura (pelo menos para mim) chamada Soft Boys, com a música "I Wanna Destroy You" , um rock de arena levanta-estádio. Muito bom.
Para ser escutado com uma cerveja Miller na mao assistindo a um jogo da NBA, ou NFL ou o que seja. Se isso é ruim?? Eu acho muito bom.
Existe um novo programa para baixar discos inteiros de artistas. Como o Vitrola Virtual é contra essa prática não vou colocar o nome do tal programinha aqui. Segue a conversa com o amigo que me contou sobre essa barbaridade:
- Fala uns discos aí pra eu baixar...
- Só se vc comprar depois. Isso é ilegal. - retruquei
- Se forem bons...
- Tenho certeza que vc vai gostar. Anota aí: "Born to Run", Wild Woods", "Who's Next" do The Who...
- Opa!!! Esse Who é uma merda!!
- Como?? Ficou maluco?? O que vc anda escutando???
- Pô véi...baixei todos os discos do Nickelback!!!!!!
Escrito por Osorio Coelho às 15h25
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