KEEP ROCKIN', BABY

The Hives - Tyrannosaurus Hives
Fountains of Wayne - Welcome Interstate Managers
O que fazer quando algum de vocês vai ser o DJ de uma festa mas não quer ficar tocando sempre as mesmas músicas dos anos 80 de sempre, nem a melancolia rítmica de uma banda eletrônica muderninha ou mesmo os "hits" do momento? A resposta está no primeiro disco aqui listado, o sensacional Tyrannosaurus Hives, da banda-cool The Hives, desde já um dos melhores discos do ano. Podem me cobrar.
Fortemente recomendado pelo chapa Roberto Sôlha, jornalista de Minas, resolvi comprar o disco no escuro, empolgado por suas excelentes recomendações. Não que eu desconhecesse a banda, muito pelo contrário, mas sempre fui meio desconfiado por esses hypes que aparecem com um bom primeiro disco e depois desaparecem (The Vines? Yeah Yeah Yeahs??) . O disco anterior deles era muito bom, conseguindo colocar a espetacular música "Hate to Say i Told you So" até em novela da Grobo.
O que era apenas sugerido anteriormente torna-se evidente agora, mostrando toda a influência oitentista (do bem, diga-se), em faixas como "Two-Timing Touch and Broken Bones" e na ótima "Walk Idiot Walk" , que não estaria deslocada se fosse do disco "New Traditionalists" do Devo, que foi lançado a uns 20 anos atrás. Nem precisa dizer que eles são a maior influência da banda hoje.
A partir da faixa "No Pun Inended" a demência toma lugar, em uma sequência que permite até que uma guitarrinha sem-vergonha estilo Madness (A Little More For Little You) se misture à pegada punk da banda, bem como uma surpreendente surf-punk-music (B Is For Brutus) que também não fica esquisita no liquidificador sonoro deles.
É um disco rápido, que passa como um rolo compressor por cima da gente, sem deixar nem tempo para respirar. Ducida? Coloque "Missing Link" em uma festa e veja se alguém fica indiferente. Por isso que é sempre legal escutar uma banda honesta e divertida, que utiliza de maneira inteligente todas as armas que o marketing pode dar, inclusive o visual, com ternos, sapatos brancos e polaina. Sem falar em um vocalista maluco, mais preocupado em divertir a platéia (e a ele mesmo). Vem cá, um disco que começa com uma música chamada "Abra Cadaver" não pode ser ruim, certo?
Já o Fountains of Wayne começa o disco com o jogo ganho. Um power-pop competente, com letras romântico-engraçadinhas ("Eu pilotava para a American Airlines, mas fui demitido por ler a High Times" - nota do blogueiro: Revista que fala de maconha), vocais doces. Lembrou do Teenage Fanclub?
Pois é, o jogo até que ia rolando bem, com belas jogadas, entrosamento, na cartilha de uma guitar-band, como na grudenta "Stacy's Mom" , que fala da paixão platônica de um adolescente pela Mãe de sua amiga. O refrão chega a lembrar Rick Springfield, mas é legal.
Até que a partir de "Valley Winter Song" dá um branco no time e eles começam a levar uns contra-ataques, com uma irritante sucessão de baladinhas esquecíveis, e nem a presença de James Iha (ex-Smashing Pumpkins) na música "All kinds of Time" salva a banda de uma iminente virada no placar.
Na volta do intervalo, depois da bronca do técnico, um sopro de esperança com a empolgante "Little Red Light" , mas em um gol-contra tudo vai por água abaixo. Músicas muito ruins, com uma mistura de baladas country e uma constrangedora tentativa de soar sexy, com a terrível "Halley's Waitress" , um soul de quinta categoria.
Quer saber, não tive paciência de ficar até o final no estádio. Desliguei o som e, por um tempo, pensei que estava escutando um disco do Bryan Adams. Fuja.
Teenage Fanclub?? ahahah...
Escrito por Osorio Coelho às 11h57
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