PATRULHA DA NEVE

Snow Patrol - Songs For Polarbears
Snow Patrol - When It's All Over We Still Have to Clear up
Snow Patrol - Final Straw
O que mais me espanta na ignorância da tal comunidade indie (êta nomezinho ridículo) é a incrível capacidade de fabricar a próxima grande banda, sem o devido conhecimento de que alguns deles já vinham lançando bons discos a pelo menos uns 6 anos, como no caso do Snow Patrol, agora frequentador das revistas especializadas na terra da rainha, reverberando aqui no Brasil através de colunisas Indie (olha ela aí de novo) e de babões que conseguem enxergar alguma novidade em bandas superestimadas, como os Libertines, um mero pastiche do Clash.
Ainda bem que tais "elogios" não se aplicam ao caso do Snow Patrol, banda escocesa, descendente direta das famosas guitar-bands, de linhagem nobre, e que ainda se preocupam com uma boa melodia, sem esquecer das guitarras.
O primeiro disco, "Songs For Polarbears", lançado no Brasil pela Trama (informação que até o bacana Rio Fanzine do Grobo, do Tom Leão, desconhecia) data de 1998, e traz na traseira do seu encarte uma mensagem politicamente correta, o que não é um bom sinal, convenhamos. "Mamães e Papais do mundo sejam pacientes com suas crianças". Fofo, não? Mas a fofura acaba aí, já que, surpreendentemente uma música totalmente influenciada pelo Sonic Youth da época do Dirty ininia o disco. Em "Downhill From Here" a semelhança chega ser assustadora, emulando também Elastica (Star Fighter Pilot) The Reindeer Section (Mahogany e NYC) e Idlewild (Little Here). Posso parecer confuso, afinal acabei de falar mal dos Libertines, justamente pelo fato de serem influenciados por uma das melhores bandas de todos os tempos, enquanto que o Snow Patrol lembra outras menos cotadas. A diferença aqui é a qualidade da música. Enquanto um tem, o outro não tem, certo?
Nesse disco a banda já iria se utilizar de alguns recursos de estúdio que se repetiriam nos seus outros discos, quando o vocal de Gary Lightbody (Guitarrista, tecladista e subnutrido, de acordo com o encarte) fica entupido de efeitos, gerando um vocal distorcido. Comum, mas eficiente.
No segundo disco, "When It's All Over We Still Have to Clear Up", a clara influência do Sonic Youth dá lugar a melodias um pouco mais "comportadas", nos remetendo a um Dandy Warhols, como na faixa de abertura "Never Gonna Fall in Love Again". Os efeitos no vocal permanecem em praticamente todas as faixas, e o lado mais "doce" da banda começa a prevalecer, com guitarras menos pesadas, como em "Ask Me How I Am" e na Velvetiana "Batten Down the Hatch". O que se nota é uma perda no peso roqueiro, que se contrapõe ao aumento da sensibilidade (uia!) dos rapazes.

A vantagem dessa transição acaba gerando um excelente disco, o ótimo "Final Straw", onde as palhetadas do primeiro disco se misturam ao açúcar do segundo, nascendo um típico representante do bom rock escocês. Tem para todos os gostos. Desde a música para escutar com a namorada (o) (How to be Dead), passando pela "levanta público de rock" (Wow), até algumas trucagens legais de estúdio (Whatever's Left). Escute a maravilhosa "Spitting Game" e veja como ela pode se tornar a música de sua vida. Pelo menos até o final de semana.
é legal ver o amadurecimento de uma banda, principalmente quando ela, logo no seu primeiro disco, não é apontada como a "salvação do rock". Deixemos que a própria obra fale por si, o que já pode representar um avanço em meio a várias bandas que desaparecem da mesma forma como surgiram, Igual a um raio. Já falei isso, certo?
Ai, ai...o que a paternidade faz com a gente...vamos lá:
"Mums and Dads of the world be patient with your children"
Escrito por Osorio Coelho às 11h58
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