ESCOLHAS CERTAS OU ERRADAS?

Terry Reid - Seed of Memory
Imagine a seguinte situação: Jimmy Page (ele mesmo) te convida para ser o vocalista do projeto "New Yardbirds", e você não aceita a oferta. Louco? Doido varrido? Bem, depois de um outro convite, dessa vez para substituir Rod Evans nos vocais do Deep Purple, aonde você mais uma vez rejeita, está comprovado o caso de insanidade mental certo?
Além disso você, no início da carreira já tinha desistido da sua primeira banda, os Jaywalkers, que ganhavam uma boa reputação na Inglaterra, participando de uma turnê com os Rolling Stones e Ike & Tina Turner, lá pelos idos de 1968. Tudo isso por acreditar que o seu futuro estava na sua carreira-solo.
Isso aconteceu de verdade, pois todas as informações estão no encarte do disco-solo de Terry Reid, até então um ilustríssimo desconhecido para o Vitrola Virtual. Comecei a me interessar por sua história depois de comprar esse disco e ler um excelente texto sobre os Yardbirds na ChampVinyl. Se quiser ler o texto clique aqui. Uma das perguntas que fiz ao chapa Barry foi justamente se ele conhecia Terry Reid.
Entrei na Modern Music mais uma vez para pegar a minha encomenda (o novo da Mark Lanegan Band), e uma música estava tocando, me fazendo lembrar de cara Chris Robinson e seu primeiro trabalho solo, New Earth Mud. O estilo Folk-Rock estava lá, misturado a altas caras emocionais. Ela era belíssima, e se chamava "To Be Treated Rite", que lembrava também o trabalho de Crosby, Stills, Nash & Young e seu elegante trabalho vocal. Obviamente que comprei o disco, sendo hoje altíssima rotação no meu carro. As influências de Neil Young fase "On the Beach" são logo percebidas nas músicas "Faith to Arise" e, principalmente, em "Seed of Memory".
A certeza que eu tive sobre a influência que ele teve sobre Chris Robinson veio junto com a faixa "Ooh Baby (Make Me Feel so Young), onde Reid, assim como Robinson, compôs um soul digno dos maiores mestres, com um belo trabalho de metais. Algumas de suas grandes influências da época foram também bandas famosas como o Cream e o Jeff Beck Group, que justifica o lado bluesy de faixas como "The Way You Walk" e "The Frame".
Pena que o disco seja tão curto (somente 8 músicas), terminando com a arrasa-cotovelos "Fooling You", com um Reid crooner cantando as dores do amor sobre uma base de mellotron e cordas. Pense em um bar vazio, um drink sobre a mesa, ambiente esfumaçado e a lembrança dela.
É um absurdo que um artista tão talentoso seja praticamente um desconhecido. Bem, pelo menos para mim ele era, coisa que irei corrigir com a aquisição de mais discos. O belo trabalho vocal foi totalmente arranjado por ninguém menos do que Graham Nash, também produtor do disco. Perfeito para uma noite perfeita, mas serve também para aqueles dias em que tudo dá errado.
Bem, os tentáculos da Vitrola Virtual começam a se expandir. Fui convidado para escreer uma coluna de música no site Press Play, com o nome de Agent Smith, minha "identidade secreta". Todos os visitantes e participantes do blog estão convidados a dar um pulo por lá, onde assumo um papel menos cavalheiresco e mais arrogante, como os chapas Rob, Barry e Dick (que estranhamente nunca deixou uma mensagem aqui no blog).
Não se assustem, portanto, é apenas um papel. E tentem não revelar a minha "verdadeira" identidade. eheheh...
Escrito por Osorio Coelho às 15h49
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